5

A historinha do dia é: feliz ano novo para todos!!!

Gente,

esta semana foi complicada com o Davi dodói. Acabamos tendo um recesso 'forçado', né? Não consegui escrever, na verdade, alguns dias não consegui nem me aproximar do computador. Ele teve uma infecção intestinal, ficou bem enjoadinho e com um dieta restritiva que o deixou super irritadiço. Mas, para a virada, ele já está a toda: já brincou na piscina de manhã com o papai, já foi visitar a prima Nati com os avós... Tudo em ritmo de festa - inclusive a Larinha, que sacoleja sem parar aqui dentro! :)

Agora,2011 está indo embora, e foi um ano enoooorme: parece que eu vivi dez anos em um! 2012 chega, e com ele, muitas novidades e a minha princesinha. Tem como ser melhor que isto?:D Estou mesmo bem animada para o ano que se inicia... Trarei novas histórias, novos sorteios, muita coisa bacana para dividir com vocês. Só que isto vai acontecer a partir do dia 09/01 - vou fazer este recesso de ano novo para me reorganizar, ajeitar as coisinhas do chá da Lara (ainda não fiz nada, mas assim que tiver algo pronto, vou mostrar para vocês!), do enxoval dela, do aniversário do Davi... Ufa! Vou descansar também, porque 2012 vai ser bem agitado para mim!!! =)

Espero que todos tenham um revéillon mágico ao lado de quem amam, e um ano realmente novo em 2012. Vambora virar a página da vida e começar a escrever um capítulo melhor de nossas vidas!!!!

Beijos imensos a todos!!!
1

Que houve? :)


Gente,

não deu para postar ontem porque o Davi ficou dodói... Tive que levá-lo ao pediatra e, claro, dar atenção integral a ele. Minha mãe ficou de vir hoje aqui para casa, então eu vou tentar postar mais tarde.

Beijos mil!!!
0

A historinha do dia

Gente,

a historinha do dia de hoje é uma só: almoço de Natal com a família! Família de sangue, família de coração, família. Estar com quem amamos, porque isto é o mais importante do Natal.

Espero que todos tenham um dia abençoado e aproveitem bem seus entes queridos. Para quem perdeu, ontem a historinha foi com o Papai Noel, o nosso querido amigo de Natal. E não é que eu o vi, ontem à noite, andando de lambreta? Vi, mesmo, fiquei feliz da vida! =)

Beijos em todos! Amanhã tem historinha!!!!
1

A historinha do dia

ESTE ARTIGO FOI ESCRITO PARA ADULTOS LEREM! CRIANÇAS, A HISTORINHA DE VOCÊS ESTÁ AQUI EMBAIXO!!! :)

Gente,

desde que comecei com o blog que eu sabia o que queria escrever no Natal. Cheguei a esboçar um rascunho em julho, mas rescreevi ontem e hoje.

Quando eu estava grávida do Davi, conversando com uma amiga na época do Natal, ela me disse que não deixaria que seus filhos acreditassem em Papai Noel, que é ele uma criação da coca-cola apenas para aumentar o consumo nesta data. Fiquei chocada! Respondi que achava uma pena ela negar aos seus filhos - que até hoje ela não tem - uma das coisas mais bonitas da infância. A fé incondicional.

Criança acredita em heróis e princesas, em duendes e fadas. E no Papai Noel. E por que deveria ser diferente?

Foi a coca-cola quem transformou a lenda de São Nicolau na figura do Bom Velhinho? As suas roupas são vermelhas para aumentar o consumo? E DAÍ!!!! Para mim, o que interessa, é que, cada vez que vemos o Papai Noel, somos transportados para outro universo. Um universo mágico, um mundo de amor. Por que deveríamos negar isto a uma criança?

Papai Noel, para mim, existe, sim! Existe dentro de cada um de nós, que ama o Natal. Existe em cada pessoa que se dispõe a ajudar o próximo. Existe em cada um de nós que crê no amor. E se isto é invenção da coca-cola... Obrigada, coca-cola, por todos os lindos Natais da minha vida!!!!

Um beijos enorme a todos!!!! Comam muitas rabanadas!!!


2

O menino que não acreditava em Papai Noel







O menino que não acreditava em Papai Noel





Téo era um menino engraçado e esperto, que sempre questionava o porquê das coisas. Filho único de um casal que adorava viajar, Téo conhecia diversos lugares e, onde ia, fazia amigos. Era falante e extrovertido. Todos gostavam dele.

Quando entrou para a escola, Téo virou o xodó da professora e, em uma semana, era o melhor amigo de todos. Participava das partidas de futebol e basquete, cantava no coral da escola, jogava capoeira e até xadrez! Gostava de participar de todas as atividades da escola, mas a sua preferida eram as aulinhas de teatro. Lá, Téo era a estrela da turma: sugeria enredos, ajudava a montar cenários, criava, sozinho, peças completas. Dona Mariana, a professora de teatro, encantava-se com a disposição do menino. 'Este nasceu para a arte', dizia em alto e bom som a todos.

O final do ano se aproximava e começaram a organizar as festividades de Natal. Dona Mariana, como as outras professoras, estava planejando sua parte na grande festa que a escola iria fazer. Reuniu seus alunos e disse:

  • Meninos, nossa apresentação será o ponto alto da festa de Natal. Todos estão contando que façamos uma apresentação muito bonita.

  • Vamos fazer, sim – disse um aluno.


  • E todos os alunos começaram a falar ao mesmo tempo, cada um mais
animado que o outro, sobre que peça iriam fazer, quem interpretaria quem, como seria a parte musical... A sala, em um instante, estava uma bagunça, como todos querendo sugerir algo.
  • Silêncio, silêncio, por favor! - pediu, rindo, Dona Mariana. - Fico feliz em ver a animação de todos. Mas vocês já aprenderam que, como tudo na vida, uma peça precisa de muito empenho e dedicação. E se todos falarmos juntos ao mesmo tempo não chegaremos a lugar nenhum.

  • Desculpa, professora. - todos os alunos disseram ao mesmo tempo.

  • Tudo certo. Agora, ouçam. Todo ano, a turma de teatro monta um Auto de Natal. Já temos um cenário pronto, em que mostramos o nascimento do Menino Jesus...

  • Com licença, professora- disse Laís, levantando a mão.

  • Pois não, Laís.

  • Não é meio chato fazer a mesma coisa todo ano?

  • É exatamente nisto que eu ando pensando. O que vocês acham de nós fazermos uma peça nova, algo que nunca foi feito na escola antes?

  • É!Isso aí! Vamos sim! - a sala virou uma alegria, com todos os alunos aprovando a ideia ao mesmo tempo.

    - Eu tenho uma ideia – disse Téo, já pensando em todo o enredo de uma peça. Podemos fazer uma peça musical, com as doze badaladas do sino de Natal como tema!

  • É uma ideia linda, Téo – disse a professora – mas, na verdade, a peça tem que ser aprovada pela diretoria.

  • Eu tenho certeza que a diretora vai aprovar a minha peça, se... - disse Téo.

  • Eu sei que a diretora aprovaria, sim – interrompeu a professora. - Você tem ótimas ideias. Só que eu já mandei a peça, que já foi aprovada.

  • E sobre o que é a peça? - perguntou Luís Cláudio, um menino tímido que quase não falava.

  • A peça é sobre... o Papai Noel!

  • Papai Noel! - as crianças bateram palmas, gritaram, ficaram felizes em homenagear o Bom Velhinho.

No meio de toda a algazarra, Dona Mariana percebeu que Téo estava mudo.

  • Téo, não fique chateado. Sua ideia foi ótima, só que a peça tinha que ser pré-aprovada, e eu a mandei para a diretoria há semanas. Não queria dar a notícia a vocês antes de ter algo concreto.

  • Eu sei, professora, não fiquei chateado com isto, não.

  • Mas, então, o que houve? Está tão quietinho! Olhe, eu preciso da sua ajuda para todos os detalhes da peça.

  • Desculpa, professora, mas eu não sei se vou participar da peça...
  • Como assim?- perguntou Laís. - Você adora todas as peças Téo, deixa de ser manhosinho...
  • Não é manha, não! - disse, firme, Téo. Só que a peça não tem a ver comigo.

  • E eu achando que você ia ser o primeiro a se voluntariar para ser o Papai Noel – disse, meio que rindo, Dona Mariana.

  • Ora, professora, como eu posso ser alguém que não existe?

  • Que você disse? - perguntou Jonas, um menino da turma.

  • Que Papai Noel não existe. Não existe!

Todas as crianças pareciam querer voar no pescoço de Téo e a sala, novamente, virou uma bagunça, com todos falando ao mesmo tempo exaltados.

  • Silêncio! Turma, silêncio! - pediu, séria, Dona Mariana.

  • Professora, a senhora sabe que eu estou falando a verdade.

  • Téo, nem mais uma palavra. Depois da aula conversamos. Você tem o direito de não participar da peça, mas não de estragar o Natal dos outros.

  • Está bem, professora.


A aula continuou, com Dona Mariana explicando como seria a peça de Natal. No final, chamou Téo para uma conversa:

  • Téo, me explica isto direito. Por que você acha que Papai Noel não existe?

  • Eu não acho, eu sei!

  • E quem te disse isso? - questionou a professora.

  • Meus pais. Me disseram que o Papai Noel é invenção de uma

    indústria de refrigerantes para aumentar o consumo em dezembro. A senhora deve saber disto, não?

  • Sei, sim. Já ouvi isto antes. Mas, e você? Sabe que é São Nicolau?

  • São Nicolau... não, não sei.

  • Téo, vamos combinar assim. Você é livre para acreditar no que quiser. Eu tenho pena que você não acredite em Papai Noel, mas vou respeitar. Mas, do mesmo modo, eu exijo que você respeite seus colegas. Deixe quem acredita continuar acreditando, está bem?

  • Está certo. Mas... eles não deveriam saber a verdade?

  • A verdade Téo, é que você me disse que Papai Noel não existe. E para mim, ele existe. Cada um pensa uma coisa, e devemos sempre respeitar a opinião do outro.

  • Tudo bem, professora.

Téo saiu da sala. Do lado de fora, Jonas esperava por ele.

  • Eu ouvi o que você e Dona Mariana conversaram, Téo.

  • Não era segredo.

  • Mas, eu não entendo. Como você pode dizer que Papai Noel não existe?

  • Se você ouviu a conversa, sabe o porquê.

  • Sim, ouvi. Como já tinha ouvido o que você disse antes, da fábrica de refrigerantes, também.

  • Então você sabe que eu falo a verdade.

  • Então eu sei que você não tem fé!

  • Fé? Numa campanha publicitária?

  • Fé de que houve alguém, há muitos anos, que ajudava as crianças pobres. Que distribuía presentes.

  • Mas isso sempre há!

  • Nem sempre houve, Téo. Teve que haver o primeiro.

  • E você acha que foi Papai Noel? - disse, ironizando, Téo.

  • Eu acho que foi Jesus, que deu a vida por nós. O que celebramos no Natal, antes de mais nada, é a sua vida. O seu nascimento.

  • Pois então. Até aí, tudo bem. Concordo. Não tem nada a ver com esta historinha de Papai Noel!

  • Como não? Tem tudo a ver!

  • Ora, por favor! Você sabe, como eu, que Papai Noel não existe! - respondeu Téo, irritado.
  • Não. Você acha isto. E eu discordo. Porque eu tenho certeza que Papai Noel existe!

  • Lá vem você... Escuta, estou cansado deste papo, então...

  • Escuta só uma coisa, por favor -interrompeu Jonas.

  • O que é?

  • Como eu disse, houve alguém que, há muitos anos, primeiro se preocupou com as crianças. Até aí você aceita?

  • Sim, claro.

  • Pois bem. Esta pessoa, São Nicolau, distribuía presentes na época de Natal.

  • Sim, conheço a história.

  • Então. Mas ele fez mais do que isto.

  • Mais do que distribuir presentes?

  • Sim. Ele distribuiu algo muito maior.

  • O que?

  • Amor. Ele nos deu amor. Ele aproveitou a data em que comemoramos o nascimento de Jesus para fazer com lembremos da mais valiosa de suas lições: “Amemos uns aos outros”.

  • O que você está dizendo, então, é que...

  • O que eu estou dizendo é que o Papai Noel existe, sim. Existe dentro de cada um de nós que acreditam nele. Porque ele é uma luz, ele é a figura que nos lembra, nesta época, da importância em sermos solidários, generosos. Ele é amor! E, enquanto acreditarmos no amor, acreditamos nele!

  • Eu nunca tinha pensado assim...

  • Então, peço-te isso: vá para casa, pense em tudo o que conversamos. Na aula de teatro de amanhã, você dá sua opinião.

  • Está certo- disse Téo, despedindo-se do amigo.

  • Até amanhã.

Téo foi para casa e pensou em tudo o que Jonas tinha dito. Quase não dormiu aquela noite, tentando entender o sentido de tudo o que conversara com o amigo.

No dia seguinte, Dona Mariana reuniu a turma e perguntou se alguém tinha tido alguma ideia para a peça.

  • Eu tive! - disse Téo, levantando a mão.

  • Ora, que bom que você resolveu participar da peça.

    - Sim, resolvi. A minha ideia é simples: vamos fazer algo diferente. Não vamos dizer que Papai Noel trabalha o ano inteiro, que distribui presentes em uma noite. Vamos dizer a verdade!
  • Téo, eu fui bem clara, ontem, quando... - interrompeu Dona Mariana,

  • Me escuta, professora, por favor – pediu Téo. - Vamos dizer a verdade. Que Papai Noel não distribui presentes. Ele distribui amor. O Amor de que Jesus falava, o Amor Maior. O Amor que temos sempre que ter, uns pelos outros. O Amor que nos faz querer ajudar ao próximo, querer estar perto de nossa família e amigos. Porque cada presente, por menor que seja, tem um significado. Cada presente é um símbolo de carinho. E é isto que Papai Noel faz, de fato: dá carinho, dá amor.
  • Que lindo, Téo! - disse a professora.

  • Eu acho, professora – interrompeu Jonas – que o Téo entendeu o verdadeiro significado do Natal, e está cheio de ideias para a nossa peça!

  • Ah, estou, mesmo! - disse Téo.

Todos começaram a conversar, sugerir temas, cenários, músicas. O resto da aula, e as aulas seguintes, passaram voando até a apresentação.

No dia da apresentação, a peça foi um sucesso: todos aplaudiram de pé a linda montagem que os alunos fizeram e emocionaram-se com o texto. Os alunos e a Dona Mariana não cabiam em si de tanta felicidade.

No final da apresentação, Jonas despediu-se de todos e sumiu, sem que os demais percebessem. Num piscar de olhos ele estava no pólo Norte, com roupas verdes, ao lado do Papai Noel.


- É, Papai Noel. Mais uma criança que ouve mentiras a seu respeito.

  • Eu sei, meu filho. Eu não entendo como podem acreditar...

  • Eu também não entendo. O senhor tem aparecido cada vez

    mais, tentando conversar com mais e mais crianças, e ainda assim...

  • Tem aquelas que acham que eu não existo! - disse Papai Noel.

  • Exatamente.

  • Mas eu tenho sorte de ter ajudantes fiéis como você, Jonas. Que saem pelo mundo disfarçados para levar a minha mensagem de amor.

  • A sorte é minha, Papai Noel, de trabalhar aqui.

  • Pois é, e falando nisto temos muito trabalho a fazer. Vá descansar um pouco, que a noite vai ser longa...


E então Papai Noel levantou-se e pediu que seus ajudantes começassem a arrumar seu trenó. As renas estavam preparadas e, em poucas horas, começaria mais um voo. Um voo que acontece todos os anos, na noite de Natal, para levar amor às crianças do mundo todo!




Para todos vocês, meus queridos amigos,

um Natal abençoado! Que todos possam

sentir, todos os anos, a magia do Natal

invadir seus corações. Exatamente como uma

criança que, ansiosa, não consegue

dormir, esperando encontrar o Bom Velhinho...

0

A historinha do dia

Gente,

tô super enrolada, escrevendo agora a historinha do dia. Tive que fazer compras, preparar as coisinhas de Natal, acabou que fiquei mesmo sem tempo. Se eu acabar muito tarde, vou postar amanhã. Peço desculpas pela minha falta de organização. Sei que vocês entendem e devem estar enlouquecidos na ante-véspera de Natal também... :)

Beijo grande, Dadá
0

A historinha do dia

Gente,

mil desculpas pela demora em postar. Não era para fazer suspense, não: era porque o Davi estava meio enjoadinho, mesmo.

A historinha de hoje é a parte final de 'Uma historinha de renas', que postei ontem. Para quem não leu/acessou ontem, a historinha ficou grande e eu dividi em duas partes: a primeira foi postada ontem, a segunda está sendo postada agora. Espero que gostem!

Mil beijos e bons sonhos!!!!
0

Uma historinha de renas- parte final



Uma historinha de renas-- Parte Final



Rodolfo, Corredora, Dançarina, Empinadora, Raposa, Cometa, Cupido, Trovão e Relâmpago selecionaram trinta renas jovens, com força o bastante para puxar o trenó do Papai Noel. Imediatamente, começaram a treiná-las.

Cada duas renas do Papai Noel encarregou-se de um grupo, e Rodolfo preferiu não treinar as novas renas. O treinamento era igual para todas: bastante exercício e treinos de corrida na neve. Depois de algumas semanas, as renas começaram a ser treinadas para puxar o trenó, bem pesado, na neve. Se elas conseguissem cumprir a tarefa na neve, não haveria dificuldade em fazer o mesmo galopando pelos céus.

Passaram-se mais algumas semanas, e Cometa e Cupido deram a notícia:

  • Nossas renas estão habilitadas a puxar o trenó! Treinamo -as com afinco e elas estão no ponto!

  • Imagino que estejam bem preparadas- disse Raposa – mas duvido que estejam melhor treinadas do que as nossas! Corredora e eu temos convicção que as nossas renas estão preparadíssimas.

  • As suas estão bem treinadas? - interrompeu Empinadora – pois saiba que as renas que eu e Dançarina treinamos são as substitutas perfeitas, já dominam completamente a condução de trenó!

  • Ora, faça-me o favor! - ironizou Trovão – Vocês se preocupam mais com a coreografia do galope do que com a velocidade! As nossas, sim, são as renas ideais: só perdem em velocidade para a luz. E mesmo assim, por pouco! - disse, referindo-se às renas treinadas por ele e Relâmpago.

E nisso começou-se uma grande discussão, com cada uma das renas do Papai Noel dizendo que seu grupo estava melhor habilitado para serem as renas substitutas. Rodolfo, sempre sensato, tentou encerrar o assunto:

  • Tenho certeza que todas as renas estão aptas a exercer a função – disse. - Sei da capacidade de cada uma de vocês e suas renas não poderiam ter tido melhores professores...

  • Deixa disso, Rodolfo – interrompeu Raposa. - Você sempre vem com este jeitinho, querendo dar uma de bonzinho e apaziguar a todos. Mas estamos falando de nossas substitutas, e as melhores terão que ser escolhidas. Simples assim. Você não quis treinar nenhuma rena e nós não lhe impusemos isto. Mas agora, cabe a nós, que as treinamos, decidir o que devemos fazer. Eu proponho que façamos uma corrida entre as renas novatas.

  • Isto mesmo! - concordou Relâmpago. - Este é o melhor jeito de encerrarmos esta discussão de uma vez.

E todas as renas voltaram a falar ao mesmo tempo, cada uma sugerindo um dia e um local para a corrida. Umas diziam que a corrida deveria ter obstáculos, outras sugeriam colocar um peso extra no trenós. Rodolfo ouvia a tudo, calado. Virou as costas e saiu andando, sem que notassem sua ausência. Não cabia em si de tanta preocupação.

Rodolfo andou desanimado até chegar em casa. Estavam lá as cartinhas de todas as renas que tinham se inscrito para serem as renas substitutas. Distraído, pegou uma cartinha e começou a ler. Leu a segunda, a terceira, a quarta. Pareciam todas iguais. Até que, no meio delas, uma era diferente. Muito diferente. Dizia assim:

'Prezadas renas do Papai Noel,

gostaria de apresentar uma rena como possível substituta. Trata-se de meu filho, Camilo.

Camilo é jovem e bem-disposto. Estudioso, carinhoso, íntegro, um filho sem igual. Mas ele nasceu com uma diferença em uma de suas patas: ela é mais curta do que as outras. Por isso, Camilo anda mancando. Por toda vida, meu filho tem ouvido que sua pata veio com defeito. Eu acredito que não é defeito, é uma singularidade – que ele compensa tendo inúmeras outras qualidades. Mas tem sido difícil fazê-lo acreditar em mim. Se tem alguém que pode fazê-lo, certamente são vocês, por isso peço que considerem a candidatura de meu filho como rena substituta.

Atenciosamente, Sr. Arturo.'

  • Meu Deus! - exclamou Rodolfo. - Como deixamos passar esta carta! Quantas será que temos assim?

Rodolfo viu, assustado, que, preocupadas com a juventude e força, as renas poderiam ter deixado passar o quesito mais importante: a pureza de coração. Sabia que não havia muito tempo e não teria como verificar todas as cartas. 'Vou fazer o que está ao meu alcance!', pensou, e ligou, na mesma hora, para o pai de Camilo.

  • Seu Arturo?

  • Pois não?

  • Aqui é Rodolfo, a rena do nariz vermelho.

  • Senhor Rodolfo, quanta honra – Seu Arturo ficou emocionado com a ligação.

  • Escute, eu preciso que o senhor me traga o seu filho. Imediatamente.

  • Claro, claro. Ele vai poder ser uma das substitutas?

  • Traga-o, logo. Então veremos o que poderei fazer.

  • Está certo.

No dia seguinte, Seu Arturo levou Camilo para a casa de Rodolfo. O pai não tinha mentido, nem exagerado em nada. Camilo era um amor! E tinha mesmo uma pata bem mais curta do que as outras. Tímido, ele disse a Rodolfo:

  • Eu soube que o treinamento inclui corrida na neve. Mas eu não consigo correr muito rápido. Por causa da minha pata...

  • Seu treinamento não será assim. Eu preciso de outra coisa, de você.

E assim, Rodolfo começou o treinamento secreto de Camilo, no pouco tempo que restava antes da corrida entre as novas renas. Na véspera, pediu uma audiência com Papai Noel. Contou de tudo o que havia acontecido, até então: sua preocupação em não serem mais velozes o suficiente, a procura e treinamento pelas renas substitutas e a corrida para eleger as que estavam aptas a exercer a função. No final, fez um pedido:

  • Tudo o que peço, Papai Noel, é que o senho esteja presente amanhã à corrida.

  • Claro que estarei, Rodolfo. Se eu soubesse disto tudo, já estaria participando há mais tempo...

No dia seguinte, no alto de um morro, todas as renas e suas discípulas estavam reunidas, prontas para começar a corrida. Chegaram, então, Rodolfo, com Camilo ao seu lado.

  • Você veio ser o juiz da corrida? - perguntou Cometa.

  • É uma boa ideia! - exclamou Raposa – Afinal, Rodolfo não treinou nenhuma rena.

  • Treinei, sim. - interrompeu Rodolfo. - E quero apresentar a vocês esta rena, Camilo.

  • Olá, Camilo – disseram todas as renas.

Antes que tivessem tempo de continuar a apresentação, Papai Noel chegou.

  • Olá. Então, vocês não iam me convidar para a corrida?

As renas ficaram sem graça em perceber sua gafe. Dançarina apressou-se em dizer:

  • Não queríamos chateá-lo por nada. Ainda mais nesta época, em que está tão atarefado...

  • Muito bem – disse Papai Noel. - Mas, agora estou aqui. Vamos lá, mostrem-me do que suas renas são capazes.

As renas então correram para ajeitar suas alunas na linha de saída. Estavam eufóricas. Camilo olhou para Rodolfo que fez-lhe um sinal. Um sinal bem claro 'não vá ali!'.

Corredora, Dançarina, Empinadora, Raposa, Cometa, Cupido, Trovão e Relâmpago fizeram um sinal para Papai Noel, que disse 'corram!' e todas as renas substitutas saíram correndo. Todas, menos Camilo.

As renas substitutas estavam mesmo bem treinadas: subiram e desceram morros puxando o pesado trenó. Na linha de chegada, era difícil determinar qual grupo tinha sido o vencedor: todos chegaram praticamente ao mesmo tempo.

Todos olhavam para Papai Noel, que olhou para Rodolfo e perguntou:

  • E então? A sua rena não vai correr?

  • Não. A minha rena vai voar! Dê-lhe seu sopro, por favor.

Papai Noel aproximou-se de Camilo e soprou de leve seu focinho. No mesmo instante, ele começou a flutuar. Rodolfo fez-lhe um sinal para que se atrelasse ao trenó e Camilo obedeceu. No minuto seguinte, a rena com a pata mais curta, levantava voo, puxando, sozinha, o pesado trenó de Papai Noel,

Todas as renas ficaram encantadas com o voo de Camilo, que parecia bailar nos céus. Quando ele pousou, todos lhe aplaudiram. Rodolfo, então, disse:

  • Amigos, ficamos tão preocupados em atrasar nossa entrega que esquecemos do que realmente importava. Não é nossa força, nossa velocidade. É o nosso amor! Fazemos nosso trabalho com amor e sempre tivemos a magia do Natal ao nosso lado. E sempre teremos. Não precisamos nos aposentar, contanto que continuemos exercendo nossa função com todo amor.

  • É isto mesmo! - disse Papai Noel – É a pureza do coração de uma rena que conta, não sua força. Foi por isto que vocês foram escolhidas, entre tantas outras.

    E poderão exercer esta função para sempre. Mas, se vocês estão cansadas, tenho uma proposta...

E, a partir de então, Papai Noel começou a contar com quarenta renas para ajudá-lo, o ano todo. Além de suas nove renas principais, havia agora ainda as trinta e uma rena substitutas. Camilo ganhou um nariz vermelho e passou a conduzir as demais. E, agora, as renas principais treinam e fazem o voo na noite de Natal. Mas, todas as outras funções são delegadas às renas substitutas. Todos ficaram felizes com esta solução. Especialmente o Coelhinho da Páscoa que, agora, pede sempre as renas substitutas emprestadas para distribuir seus chocolates...

0

A historinha do dia

Gente,

continuamos na nossa semana especial de Natal. Chegamos, hoje, à nossa quarta historinha.

A historinha de hoje fala das renas mágicas que conduzem o trenó do Papai Noel. Vocês se lembram de Rodolfo, a rena do nariz vermelho, certamente. Mas Rodolfo não leva o trenó sozinho...

A historinha ficou grande, então, para não se tornar cansativa para os pequenininhos, dividi em duas partes. Hoje, posto a primeira, que tem um final 'aberto'. Amanhã, coloco a continuação, com o final da história.

É isto. Espero que gostem!!!!

Mil beijos e bons sonhos!!!
1

Uma historinha de renas- parte 1


Uma historinha de renas – parte 1




Rodolfo, Corredora, Dançarina, Empinadora, Raposa, Cometa, Cupido, Trovão e Relâmpago eram as mais conhecidas renas do reino animal. Não poderia ser diferente, já que estas nove renas eram mágicas. Ainda filhotes, tinham sido escolhidas para uma

importante missão: conduzir o trenó do Papai Noel. O próprio Papai Noel as escolhera, uma a uma, por sua força física, disposição, e, mais importante, por terem o coração puro. Dera-lhes um pequeno sopro da magia natalina e pronto! As renas, a partir de então, eram capazes de voar e levá-lo, na noite de Natal, ao redor do mundo. Rodolfo ia à frente das outras, com seu nariz vermelho guiando o caminho. E as demais, unidas, galopavam pelos céus com toda força, levando o pesado trenó, sempre cheio de presentes.

As nove renas, claro, adoravam seu trabalho e sabiam seu valor. Ao contrário do que muitos pensavam, não trabalhavam apenas na noite de Natal – trabalhavam o ano inteirinho! Faziam muitos exercícios para manterem o vigor, treinavam o voo do trenó várias vezes por ano e, eventualmente, acabavam fazendo serviços extras. Foi o caso de um ano em que a fábrica de chocolates atrasou e o Coelhinho não teria tempo de entregar todos os bombons antes da Páscoa. Mas então as renas se ofereceram para ajudar e, em pleno domingo de Páscoa, saíram voando mundo afora, garantindo que toda criança do mundo ganhasse um chocolatinho. As renas eram mesmo muito felizes em sua missão.

Um dia, no meio de um exercício, Trovão sentiu uma cãibra no joelho esquerdo. Poucos dias depois, foi a vez de Cometa torcer o tornozelo. O tempo estava passando, elas sabiam. Não tinham mais a mesma força de antes. Embora fizessem seu trabalho com todo amor, começaram a se preocupar. E se atrasassem a entrega? E se alguma criança ficasse sem presente? Por mais que amassem o que faziam, sabiam que, o mais importante, era que Papai Noel conseguisse levar todos os presentes na noite de Natal. E, de uns tempos para cá, começaram a se perguntar por quanto tempo elas ainda teriam força o suficiente para ajudá-lo. Rodolfo era a mais preocupada das renas. Chamou a todas para uma conversa.

  • Eu vejo que o tempo tem sido generoso conosco. Temos conduzido o trenó do Papai Noel há muitos anos. Temos feito a alegria das crianças, temos participado da alegria do Natal.


  • Somos privilegiadas! - disse Dançarina.

  • Todas as renas do mundo gostariam de estar em nosso lugar- gabou-se Empinadora.

  • É verdade- riu Rodolfo. Mas, não adianta nos enganarmos. Temos tidos muitos incidentes nos últimos anos...

  • Mas sempre conseguimos cumprir nossa função! - interrompeu Raposa.

  • Até agora – continuou Rodolfo. - Mas, o que acontecerá se não conseguirmos terminar nosso trabalho? Deixaremos as crianças sem presentes?


    As renas se entreolharam assustadas. Não poderiam imaginar nada mais horrível do que deixar uma criança sem presente. Os duendes trabalhavam duro o ano inteiro, Papai Noel lia todas as cartinhas, via o que cada um queria – e merecia – ganhar. E se o trenó não voasse rápido o suficiente, todo este trabalho teria sido em vão.

  • O que você está querendo dizer, Rodolfo? - perguntou Cometa. - Acha que não conseguimos mais fazer nosso trabalho?

  • Acho que, em breve, isto irá, sim acontecer. Estamos com mais idade, menos força física. Puxar o trenó requer não apenas nosso amor, mas um grande esforço. E eu temo que, em breve, teremos que nos aposentar.

  • Justamente você falando isso, Rodolfo! - disse Dançarina – Você é a mais nova das renas.

  • Sim, sou. Mas, em algum momento, também terei que me aposentar. E não quero deixar o Papai Noel, de uma hora para outro, sem renas capazes de cumprir a missão do Natal.

  • Nenhuma de nós quer isso – disse Corredora. - Você tem alguma sugestão? Acha que devemos conversar com Papai Noel?

  • Acho que não deveríamos alarmá-lo, ainda – sugeriu Trovão.

  • Talvez.. Possamos resolver algo, nós mesmas – disse Relâmpago.

  • O que vocês estão pensando? - quis saber Rodolfo.

  • Acho que poderíamos, nós mesmas, procurar nossas substitutas – continuou Relâmpago.

  • E orientá-las no que for preciso – emendou Trovão.

  • E treiná-las para cumprir o trajeto no tempo certo – concluiu Cometa.

  • Esta parece uma ideia bastante razoável – disse Rodolfo. - Não precisamos preocupar Papai Noel antes da hora. Vamos, nós mesmas, procurar e treinar novas renas para conduzir o trenó. Quando acharmos que elas estão prontas, lhe diremos o que fizemos. Todas de acordo?

  • Sim! - disseram todas as renas ao mesmo tempo.

E assim, começou, no mundo das renas, um falatório sem fim. Espalhou-se, de imediato, a notícia de que as re

nas do Papai Noel iriam se aposentar em breve e estavam procurando suas substitutas. Todas as renas do mundo começaram a mandar cartas e ligar para Rodolfo e as outras renas. Todas queriam uma oportunidade de conduzir o trenó pelos céus.

Em pouco tempo, as renas do Papai Noel já tinham selecionado mais de trinta candidatas que, a primeira vista, pareciam capazes de exercer a função. Eram renas jovens e fortes, que tinham disposição e vigor suficiente para puxar um trenó tão pesado quanto o de Papai Noel.

Rodolfo e as outras renas de Papai Noel estavam animadas em saber que, em breve, teriam algum descanso. Só que, antes deste dia, muita coisa ainda iria acontecer...

0

A historinha do dia

Gente,

chegamos ao terceiro dia da nossa semana pré-natalina. Nos dois primeiros dias, as histórias saíram grandes - eu avisei que adoro o Natal! Era natural que eu me animasse escrevendo! :) - e continham uma mensagem. Acho legal falar com as crianças, nesta época, que é importante dividir, que tem pessoas que tem menos do que nós, que devemos ajudar. Este tipo de coisa. Só que Natal, para mim, também é uma grande alegria! Por isso, hoje, eu quis uma historinha diferente. Daquelas que dão uma 'mensagem errada', sabem?

A historinha do dia conta como Misael, de apenas quatro anos, sente-se prejudicado, já que seus primos mais velhos tem meias maiores para colocar na janela - e, por isso, ganharão mais presentes. Só que o menininho vai dar um jeito de inverter esta situação... Vamos à história? Espero que vocês gostem e se divirtam com ela. Eu me diverti muito escrevendo! ;)

Mil beijos e bons sonhos!!!
1

O sapatinho de Misael

O sapatinho de Misael





Misael era o mais novo dos sete netos de dona Aurora. Tinha, nesta época, cerca de quatro anos de idade. Laura, sua irmã, tinha seis. E todos os primos já contavam com mais de sete anos. Como em todos os anos, Misael, sua irmã e seus primos, iam para a casa dos avós no Natal. E, todo ano, dona Aurora pedia que cada um lhe desse uma meia ou um pé de sapato (eles sempre davam meias). A doce velhinha colocava as meias de seus netos, uma ao lado da outra, penduradas na janela. E dizia: 'de madrugada, Papai Noel vem e enche a meia de vocês!' Na manhã de Natal, todas as crianças corriam para pegar suas meias.


Dona Aurora estava certa: sempre tinham presentes dentro da meia e todos ficavam felizes.

Ocorre que o Misael, mesmo sendo o mais novinho, era também o mais espertinho. Ele viu os primos separando as meias para colocar na janela. Murilo, de oito anos, pegou a meia de cano alto com a qual jogava futebol. Benício, por sua vez, pegou uma meia ainda maior, com a qual ele jogava basquete. Os primos já calçavam muito mais que Misael e suas meias eram, naturalmente, muito maiores. Misael viu as meias dos primos e foi olhar as suas. Tão pequenas! Mal daria para caber um presentinho ali dentro. 'Isto não é justo!', pensou. 'Só porque sou o menor, vou ficar em desvantagem?' Foi, então, falar com a avó:

  • Vovó, eu estive pensando.

  • Sim, Misael, o que foi?

  • Eu sou muito menor do que os outros...

  • É porque você é o mais novo, meu filho, logo você será bem grande também!

  • Sim, eu sei. Mas neste ano ainda sou pequeno.

  • E qual o problema disso?

  • O problema é que minha meia também é pequena, e as dos meus primos são enormes! Eu estou em desvantagem. A senhora não acha que eu deveria colocar o par completo da meia ao invés de apenas um pé?

  • Ora, meu filho – riu a avó – o que importa é o carinho do presente, não o seu tamanho ou a quantidade.

  • Eu sei, mas...

  • Agora, vamos, deixe de tolices e vá brincar!

  • Está bem, vovó – disse, um tantinho aborrecido, Misael.

O que Misael não sabia é que seu avô, o Seu Antenor, ouviu toda a conversa. Também ele era o mais novo de sua família, e entendeu a chateação do neto. Chamou-o, num canto.

  • Misael, venha cá.

  • Sim, vovô, o que há?

  • Eu ouvi o que você conversou com sua avó...

  • É. Ela disse que eu só posso colocar um pé-de-meia. Estou em desvantagem, vovô!

  • Ora, a sua avó disse que você só podia colocar um pé, de meia ou de sapato...

  • Mas o meu sapato é ainda menor que a minha meia, vovô! - respondeu Misael.

  • Calma, menino. Escuta. Ela disse que você tinha que dar um pé, de meia ou sapato. Mas não disse que o pé tinha que ser o seu!

  • Não estou entendendo nada, vovô!

  • Ora, por que colocar um sapato seu? Deixa comigo, eu tenho a coisa certa para você!


    No dia seguinte, véspera de Natal, Dona Aurora serviu o jantar. Disse, então, aos netos:

  • Tragam-me suas meias ou sapatos, o que forem pendurar na janela.

Os netos todos correram para pegar suas meias. Misael, nervoso, olhou para o avô, que lhe deu uma piscada de olhos.

Murilo, Benício, Laura... Um a um, todos entregaram seus pés de meia à avó. Todos, menos Misael. A avó, então, perguntou:

  • E você, Misael, cadê o seu pézinho de meia para colocar na janela?

  • Está aqui! - disse o avô.

Todos viraram para olhar o que Seu Antenor segurava. Em suas mãos, um pé de galocha, de cano alto, enorme, com uma etiqueta colada na parte da frente, escrita ' Misael'.


A família toda riu muito da proeza do neto e da gaiatice do avô. E, na manhã seguinte, Misael, feliz e contente, viu que sua galocha estava mesmo cheinha de presentes!

0

A historinha do dia

Gente,

segunda-feira, outra semana de labuta para muitos, férias para alguns...
Como prometi, hoje temos outra historinha de Natal. Esta fala sobre algo que eu sempre questiono, nesta época: o consumo excessivo. Claro que todo mundo gosta de dar e ganhar presentes. Mas, convenhamos: entre ter uma árvore cheinha de presentes e a casa cheinha de amigos, o que é melhor?

A historinha do dia fala justamente sobre uma menina que tem milhões de brinquedos, mas ninguém com quem brincar. Trata de egoísmo e amizade. Porque é sempre bom ensinarmos aos pequenos que, tendo um amigo, você sempre terá uma brincadeira. Mesmo que não tenham nenhum brinquedo caro com vocês.

É isto. Espero que gostem!

Mil beijos e bons sonhos!!!

PS: mais tarde eu posto, no facebook, o nome do ganhador(a) do sorteio, certo?
2

A coleção de globos de neve



A coleção de globos de neve





Houve, há muito tempo atrás, uma menina rica chamada Linda. Linda tinha bonecas de todos os tipos, jogos de todos os formatos, bichos de pelúcia capazes de formar um zoológico inteiro. Linda tinha tudo o que queria. Seu pai era dono de uma fábrica de meias e trabalhava o dia inteirinho. Não tinha muito tempo para a filha única, órfã de mãe, e achava que deveria compensar sua ausência cobrindo a filha de luxos. Linda, por sua vez, parecia bastante satisfeita com sua vida.

Linda não tinha irmãos, nem primos. Estudava em casa, com um professor particular. As únicas crianças com quem tinham contato eram os filhos dos operários da fábrica de seu pai.

O pai de Linda, além de rico, era um homem muito poderoso: mandava e desmandava na cidadezinha onde moravam, Vila das Neves. Mas era também um homem bom e justo, que procurava agradar a todos. Todo Natal, fazia uma grande festa em sua casa e convidava todos os seus operários. Distribuía brinquedos para as crianças e dava caixas de bombons para os adultos. Seus funcionários adoravam-lhe – diziam que não havia patrão mais generoso.

Nestas ocasiões, o pai de Linda dizia à filha que deveria receber os convidados como uma mocinha bem-comportada, e aproveitar para brincar com as crianças. O pai de Linda achava que Linda deveria ser amiga dos filhos dos operários, quase todos da mesma idade que ela. Mas Linda não pensava assim.

Todo ano era a mesma coisa: as crianças chegavam à festa eufóricas, ansiosas para brincar. Viam os brinquedos incríveis de Linda e pediam que lhes emprestasse. Todo ano, a mesma resposta. 'É meu, meu pai me deu, não empresto para ninguém!' era o que Linda dizia. Seu egoísmo era tão grande que, em um destes anos, proibiu as crianças de entrarem em seu quarto. 'Não quero que ninguém toque nas minhas coisas!', decretou.

De todas as coisas de Linda, o que ela mais gostava era da sua coleção de globos de neve. Seu pai, por conta dos compromissos de trabalho, viajava o mundo. Na volta, trazia-lhe muitos presentes e, dentre eles, sempre trazia um globo de neve. Linda tinha verdadeira adoração por sua coleção: colocava seus globos em cima da lareira do quarto, um ao lado do outro. Ficava admirando-lhes a beleza, e dizia a todos: 'quando crescer, eu vou tomar conta da fábrica de papai, e vou viajar o mundo como ele. Vou até cada um destes lugares que estão no globo...'

Um dia, começou na fábrica um operário muito inteligente, que logo tornou-se amigo do pai de Linda. Ele tinha uma filha da idade de Linda, chamada Míriam. Em comum, as duas meninas só tinham a idade: Míriam era generosa, dividia tudo com os outros. Tinha uma porção de amigos e todos gostavam dela. E as crianças contaram-lhe histórias e mais histórias de Linda, o que fez com que Míriam tomasse uma grande antipatia pela menina, antes mesmo de conhecê-la.


Chegou a festa de Natal, o pai de Linda organizou tudo e, no dia marcado, estavam todos os operários com suas famílias presentes. As crianças, como sempre, na euforia de ver os brinquedos novos de Linda. Menos Míriam.


Míriam chegou e foi apresentada à Linda. Cumprimentou-lhe e virou-lhe as costas, sem prestar-lhe muita atenção. Chamou, então,as outras crianças: 'Escutem, vocês, venham cá.'

  • Que há, Míriam? - quiseram logo saber.

  • Vocês dizem que esta menina não divide os brinquedos, não é?

  • Não mesmo! - disse João, um menino que, no ano anterior, levara um tapa na mão ao tentar pegar um jogo de Linda.

  • Pois então. Ela parece ser egoísta demais. Deixem ela para lá! Olhem que jardim lindo temos para brincar!

  • Temos jardim, mas não temos brinquedos! - disse Ana, filha de um dos operários mais antigos da fábrica. - O pai da Linda só dá os brinquedos na hora em que vamos embora...

  • E quem precisa de brinquedos? - perguntou Míriam

  • Como vamos brincar sem brinquedos – perguntaram, juntas, as outras crianças.

  • Isto é fácil! Tem muita coisa para a gente fazer. Eu sugiro a primeira brincadeira: pique- esconde! Quem quer brincar?

  • Eu quero – disseram todos.

  • Vou ser o pegador! – disse João – Podem se esconder que eu já vou começar a contar.

As crianças começaram a correr felizes, por todo canto do jardim. Brincaram de pique- esconde, pique- pega, pique -cola e tudo quanto é tipo de pique que há.

Linda, por sua vez, tinha decidido, outra vez, que ninguém entraria em seu quarto. Estava trancada lá dentro, esperando as crianças chegarem para pedir-lhe que lhes emprestasse brinquedos. Só que as horas começaram a passar e, estranhamente, ninguém veio.

Linda olhou pela janela. Viu toda aquela bagunça que as crianças estavam fazendo. Ficou enfurecida e chamou a governanta da casa aos berros:

  • Laudelina, venha já aqui!

  • Pois não, Lindinha, o que há?

  • Como o que há! Você não vê? Não ouve? Olha a algazarra que está acontecendo no jardim.

  • Ah, isso. São os filhos dos operários brincando.

  • Pois mande que parem, imediatamente!

  • Lindinha, isso não vai ser possível...

  • Como não vai ser possível? Eu estou mandando que parem, e parem agora! Já! É uma ordem minha!

  • Acontece que seu pai autorizou as crianças a brincarem no jardim. Sua ordem contraria as ordens de seu pai.

  • Mas... o que? Vou agora mesmo falar com ele!

Linda saiu pisando firme, disposta a acabar com a brincadeira de todos. Logo avistou o pai, conversando com alguns funcionários.

  • Papai, papai.

  • Sim, filhinha?

  • Olha a bagunça que estão fazendo no jardim! Eu quero que parem com isso. E eu quero que parem agora!

  • Não é bagunça, minha filha. É brincadeira de criança. E me entristece ver que você não está lá. Por que você não vai lá brincar com as outras crianças?

  • Eu? Me juntar a eles? Você está gozando de mim, papai!

  • De forma nenhuma! Espere um minutinho...

E então, o pai de Linda sussurrou algo no ouvido do homem que estava ao seu lado. Em dois minutos, o homem saiu e voltou, trazendo uma menina pela mão.

  • Olha, Linda, está é a Míriam, você foi apresentada a ela mais cedo. Ela tem

    a sua idade, está vindo pela primeira vez aqui em casa. Por que você não a chama para subir até seu quarto e brincar com você?

  • Eu não vou fazer isto! - disse, rispidamente, Linda.

  • Deixe-me repetir, minha filha. De um jeito que você entenda. Esta é Míriam, nossa convidada. Eu quero que você suba agora, e a leve para brincar com você.

  • Mas, papai, eu...

  • Isto é uma ordem. Discussão encerrada.

Muito a contragosto, Linda murmurou, 'vamos' para Míriam, e saiu andando na frente. Míriam, por sua vez, não queria ser grosseira com o pai de Linda, que, a esta altura, já era um bom amigo de seu pai. Mesmo contrariada, seguiu a menina.

Quando entraram no quarto de Linda, Míriam levou um susto. Tinha ouvido os amigos dizerem das coisas maravilhosas que haviam ali, mas vê-las de perto era completamente diferente.

  • Nossa! - exclamou, surpresa

  • O que é? - Linda, sempre grosseira, não estava querendo conversa.

  • O seu quarto... parece uma loja de brinquedos!

  • É tudo meu, só meu, muito meu! - disse Linda.

Distraída, Míriam andou até uma pequena boneca, que estava em cima de uma cadeira.

  • Que boneca mais linda... - disse, enquanto pegava a bonequinha.

  • É minha, só minha, muito minha! - respondeu Linda, arrancando-lhe a boneca das mãos.

  • Ora, deixa de ser egoísta! Que adianta ter tantos brinquedos e ninguém para brincar com você?

  • Eu não preciso de ninguém para brincar comigo, só preciso dos meus brinquedos. Meus, só meus, todos meus! Ninguém toca, ninguém pega, ninguém brinca. Só eu!

  • Ah, mas você é mesmo muito boboca! - retrucou Míriam, caminhando para junto da lareira.

  • Não mexe aí! - Linda assustou-se ao perceber para onde a menina ia.

  • Aí onde, tá maluca? - Míriam não via nada demais na lareira.

  • Na minha coleção de globos de neve! Não gosto que cheguem perto da minha coleção de globos de neve! - e, dizendo isso, Linda correu para a direção de Míriam.

Míriam, já muito zangada com a atitude de Linda, pegou um dos globos de neve, só para irritá-la.

  • Larga o meu globo! - gritou Linda.

  • Não largo! - respondeu Míriam.

  • Larga já! Agora! O globo é meu, só meu, muito meu! - gritou, ainda mais alto, Linda.

  • Você prefere colecionar cacarecos do que ter amigos. Pois olha o que eu acho do seu lindo globo de neve! - e, com raiva, Míriam jogou o globo de neve contra a parede. Na mesma hora, o vidro se partiu em mil pedaços pelo quarto.

  • Sua... sua...sua... - Linda estava sem palavras. - Eu vou te pegar! Vou partir a tua cara! - gritou Linda, furiosa.

  • Mas você vai ter que me pegar primeiro! - e, dizendo isto, Míriam saiu correndo pela porta do quarto.

  • Eu te pego! - respondeu Linda, correndo atrás dela.

Míriam correu em disparada pelo corredor, desceu as escada e logo alcançou o jardim. Linda seguia atrás dela, as duas correndo loucamente pela casa. Rodaram o jardim várias vezes, correram durante quase uma hora, sem parar. Até que, num momento, Linda a alcançou.

  • Te peguei! - disse Linda. E, em seguida, caiu na gargalhada. Míriam riu junto.

  • Vai me bater? - perguntou Míriam.

  • Por que? - respondeu Linda.

  • Por ter quebrado o seu globo. Não era por isso que você queria me pegar?

  • Ah, é. Já tinha esquecido. - disse, honestamente, Linda.

  • Desculpe, eu não devia ter quebrado o seu globo.

  • Não tem problema. Eu tenho outros.

As duas, então, começaram a conversar. Linda contou das viagens do pai, dos lugares que queria conhecer. Míriam contou da escola, das coisas que fazia. Passaram o resto da tarde juntas, conversando e brincando.

Este foi o último Natal em que as crianças não puderam brincar com as coisas de Linda. No ano seguinte, Linda pediu que seu pai a matriculasse na escola, para ela estudar junto com os filhos dos operários. Fez uma porção de amigos. Na festa de Natal seguinte, ninguém precisou pedir brinquedo emprestado: na véspera da festa, Linda tinha arrumado jogos, bolas, bonecas e carrinhos no jardim, para que todos pudessem brincar à vontade. Linda divertiu-se muito com os amigos. Principalmente com Míriam, que desde o ano anterior tornara-se sua melhor amiga.