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Sumiço

Gente,

a obra chegou, enfim, ao quarto da Lara! Por isso, o computador não pôde ser usado enquanto os pedreiros transformavam o irregular céu de estrelas do antigo escritório em uma massa esbranquiçada - que vai ser o teto branquinho da Lara...
Bom, o Felipe está melhor da gripe, mas o Davi, que todo mundo acha igual a mim, é igual mesmo: puxou a minha garganta! Está com amigdalite, febrão de 39 graus. Estou de pé a esta hora porque não dormi - no intervalo de uma hora e meia que cochilei a temperatura dele subiu muito e eu, assustada, preferi me manter desperta, tirando a temperatura dele a cada meia hora.
Foi por conta deste caos que eu sumi daqui estes dias, mas voltarei o mais rápido possível!

Beijos em todos!
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A historinha do dia

Gente,

a historinha do carnaval está pronta, e seria postada hoje. Mas meu dia hoje foi tão assim, assim, que a história não combinava com meu ânimo... Perdoem-me. Amanhã eu volto mais animada!

Mil beijos e bons sonhos!
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Assim, assim...







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A historinha do dia

Gente,

hoje foi o único dia em que pulamos o Carnaval. Levamos o Davi a um bailinho infantil em um clube e chegamos mooooortos! Os homens da casa já dormem, eu e Larinha, mesmo cansadas, passamos para deixar uma historinha...

Escrevi uma historinha de Carnaval, que era para ser postada hoje. Mas não consegui nenhuma imagem, então deixei para ver se consigo algo com calma, amanhã. Por hoje, 'roubei' um site que adoro, o http://www.feijo.com/~flavia/ e trouxe uma historinha bacana para vocês. Espero que gostem! :)

Mil beijos e bons sonhos!!!
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A pituchinha

A Pituchinha

Numa loja de brinquedos, moravam muitas bonecas e bonecos bem juntinhos nas prateleiras. Durante o dia, a loja ficava cheia de gente: mães, tias, avós e amigos procurando presentes para dar às crianças.Quando a noite chegava, as luzes se apagavam, as portas se fechavam para só abrir novamente na manhã seguinte.Todos os brinquedos deviam ficar bem quietinhos para não fazer bagunça na loja.O problema é que nem todos conseguiam...

Pituchinha

- Olá! Eu sou a Pituchinha, uma boneca muito levadinha, que vive se metendo em confusão. Hoje queria ficar bem quietinha na noite, mas vi quando chegou aquele maravilhoso doce de leite, que foi guardado lá na cozinha... Mmmm, que fome! O que fazer?

Doce

Olhei para um lado e para outro da prateleira onde estava, e logo achei meus melhores amigos: Pompom e Polichinelo.

- Vamos dar um passeio na cozinha para comer só um pouquinho de doce de leite?

Pompom- Eu quero, disse Pompom.

Polichinelo- Eu também, disse Polichinelo. Mas como vamos enganar o guarda?

É verdade: os brinquedos eram proibidos de sair da estante, e durante toda a noite o guarda tomava conta da loja. A tudo ele vigiava e, quando dormia, era com um olho aberto e o outro fechado. Depois trocava: um olho aberto e o outro fechado... Não parava nunca, nem deixava de ver nadinha!

Piscando- Já sei! Vamos bem de mansinho, andando só quando ele fechar um dos olhos, depois paramos todos juntos.

E assim foram bem devagarinho: pé cá, pé lá... pé cá, pé lá ... pé cá, pé lá ...

E chegaram à cozinha escura. O guarda não viu nada.

Todos procuraram pelo pote de doce de leite, mas acabaram descobrindo que ele foi guardado lá no alto, dentro do armário.

Pompom esticou bem seus bracinhos, mas suas mãos não alcançavam a porta de cima do armário da cozinha.

Polichinelo também tentou, se esticando todo, mas não conseguiu chegar perto.

A Pituchinha então disse:

Cada um de nós sozinho nunca vai provar aquele delicioso doce de leite que está lá em cima. Meu plano é subirmos uns nos ombros dos outros para alcançá-lo, e então...

Todos gostaram da idéia, e foram logo fazendo. Primeiro foi Polichinelo, que era o mais forte. Depois Pompom subiu em seus ombros, e por último subiu a Pituchinha, que esticou bem os bracinhos e abriu a porta de cima do armário. O pote de doce de leite estava lá no fundo, e sua mãozinha estava quase conseguindo agarrá-lo. Deu mais uma esticadinha, tentou uma puxadinha e então...

O pote de doce de leite escorregou, voou na parede e ...

Bum!

Ih caramba!

Espalhou doce para todo lado. E o pior, com o barulhão, na certa o guarda iria pegá-los...

Guarda

E pegou. Ficou muito zangado com aquela bagunça toda, que ele não queria limpar.

Foi então que teve uma idéia: guardou cada bonequinho em sua caixinha, bem preso por uma fita, para só se soltar na casa da criança que ganhar aquele brinquedo.

Desse dia em diante, as lojas de brinquedo passaram a guardar seus bonecos bem fechadinhos em caixinhas - para que não façam bagunça na loja de noite. Já reparou como eles vêm bem embaladinhos?

FIM

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A historinha do dia

Gente,

Carnaval é tempo de descansar... Para mim, isto sempre foi sinônimo de histórias em quadrinhos: me divertem demais! E como falei deles no sábado... Que tal rirmos um pouquinho com a Turma da Mônica? Hoje o blog traz os queridinhos de todos nós em duas tirinhas rápidas, só para descontrair. Espero que curtam!

Mil beijos e bons sonhos!!!
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Historinhas da Turma da Mônica
















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O livro da semana

Gente,

imagino que esteja todo mundo se divertindo, curtindo muito o Carnaval! Mas... e para quem não curte, o que fazer?

Eu sou do tipo não-foliã e, desde sempre, escapei da folia. Depois do Davi, como a maioria das mães, comecei a curtir fantasiá-lo, vê-lo brincando. Estas coisas de mãe. Quando ele e a Lara estiverem maiores, no entanto, é grande a chance de eu e o Felipe optarmos por ir para um lugar afastado, um sítio, algo assim, levando os dois conosco. E então, o que fazer com duas crianças pequenas durante um feriado prolongado?

O livro da semana é uma dica para quem está 'fugindo da folia' com os filhos. E que vale para qualquer ocasião, seja ou não feriado. É o livro 'Folclore Brasileiro', da Turma da Mônica.

O Davi ganhou este livro da Vovó Beth - a Vó do Luca - quando fez um aninho. E eu amei! O livro é um prato cheio, tem canções de roda, parlendas, adivinhações... de tudo um pouco! E tem, claro, muitas brincadeiras. Quem nunca brincou, quando criança, de 'Passa anel'? E seus filhos, já brincaram?

Então, deixo esta indicação de livro, que é um livro de atividades. Vale para todas as idades - quando o Davi ganhou eu ficava cantando as musiquinhas para ele -, mas a partir de uns 3, 4 aninhos, as crianças aproveitam mais.

É isto. Espero que curtam minha recomendação!

E para quem é folião... Você sabe a origem do Carnaval? O Menino maluquinho sabe, e está contando tudo neste post aqui debaixo! ;)

Bom Carnaval! Até segunda!!!

Beijos mil,
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Maluquinho por Carnaval



OLHA O CARNAVAL AÍ, GENTE!!!

O Brasil é conhecido como o "país do carnaval" e, como bons brasileiros, devemos saber um pouco sobre essa festa que contagia muita gente daqui e de diversas partes do mundo.

A HISTÓRIA DO CARNAVAL

O carnaval é uma festa popular muito antiga e, por isso, não se sabe
a origem exata dessa comemoração. O que se sabe é que essa tradição vem sendo transmitida de geração a geração há muitos séculos.
Quem trouxe o carnaval ao Brasil foram os portugueses, por volta de 1750. Nessa época, a festa era chamada de entrudo, palavra que vem do latim introitu e significa entrada, pois a comemoração começava na entrada (início) da Quaresma.
Mais tarde, surgiram as máscaras, as fantasias e as marchinhas. A serpentina (de origem francesa) e o confete (de origem espanhola) que enfeitam os bailes de salão chegaram ao Brasil em 1892.
Algumas fantasias, como as de Pierrô, Colombina, Arlequim e Rei Momo são bastante tradicionais, principalmente nos bailes de salão. Mas, mesmo com todo o sucesso desses bailes, o carnaval de rua é cada vez mais procurado e ainda preserva parte do folclore brasileiro.


CARNAVAL DE RUA

Desde o início do carnaval brasileiro, muitas pessoas o comemoram nas ruas. Foram assim que apareceram os blocos e os cordões, grupos que cantavam músicas próprias e que deram origem às escolas de samba.
Hoje, nos estados da Região Nordeste, o carnaval de rua reúne uma multidão de pessoas, entre brasileiros e estrangeiros.
Cada estado tem sua maneira de festejar. Na Bahia, por exemplo, a grande atração são os trios elétricos e, em Pernambuco, danças tradicionais como o frevo e o maracatu fazem a festa de adultos e crianças.


O CARNAVAL BRASILEIRO

O primeiro carnaval brasileiro, segundo os historiadores, aconteceu em 1641. O governador do Rio de Janeiro, Salvador Correa de Sá Benevides, determinou que se dedicasse uma semana de festa para homenagear a coroação de D. João IV. O povo adorou a ideia.
No início, o carnaval era animado com canções portuguesas, como as quadrilhas. Depois, vieram a polca e os ritmos do carnaval italiano. Só em 1870 é que surgiu uma música tipicamente brasileira, o maxixe, e a primeira canção carnavalesca do país: E viva Zé Pereira.
Uma tradição do carnaval eram as brigas com ovos, limões, água e farinha, já cultivada em outros países. Na época da Proclamação da Independência, eram comuns essas batalhas. Até as orgulhosas senhoritas da alta sociedade participavam. Das varandas das casas, moças vistosas jogavam ovos e água nas pessoas que passavam na rua.


O SAMBA

O samba tem origem em antigos ritmos trazidos pelos escravos africanos para o Brasil. Afirma-se que a palavra samba vem de semba, que significa umbigada ou união do baixo ventre em dialeto africano. No século XIX, esses ritmos africanos sofreram a influência da polca, da habanera, do maxixe e do choro. A arte do samba chegou ao Rio de Janeiro com as baianas que ali foram viver.



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A historinha do dia

Gente,

desculpem a demora em postar hoje. O Davi está com uma febre resistente desde a madrugada e eu, como vocês podem imaginar, doidinha atrás dele! Que não pára um minuto: mesmo com um febrão, pulou o dia todo, fazendo dupla com a irmã, que sacolejou sem parar durante esta sexta-feira... Pelo jeito meus filhos entendem que é Carnaval e entraram no clima! :)

A historinha do dia, como não tive meios de escrever, é um conto publicado na Revista Crescer. Lindo, lindo. Espero que vocês gostem.

Amanhã eu vou postar a sugestão do 'Livro da Semana' e segunda feira tem historinha nova.

Para todo mundo, um bom Carnaval, de folia ou descanso. ;)

Mil beijos e bons sonhos!!!
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O homem cheio de risada - Alexandre Rampazo

Alexandre Rampazo

Do espetáculo da noite anterior só havia restado sacos de pipoca vazios e chicletes colados nos assentos, papéis de bala, palitos de algodão-doce e todo resto de diversão daquelas pessoas que foram ao circo à procura de um punhado de alegria.

Da fenda da lona listada em vermelho e branco, por trás do picadeiro e indo em direção à plateia vazia, surge uma vassoura que ia e voltava recolhendo aqueles restos de felicidade espalhados pelo chão.

Quem guia a vassoura é um magro e tristonho palhaço. Seu sapato é grande e vermelho, seu macacão é longo e colorido, e no rosto pálido coberto de maquiagem, tem pintado logo abaixo do olho direito uma lágrima, que nunca desliza, e fica ali, lembrando-o de sua tristeza. Ele é o palhaço mais triste do mundo por que não sabia fazer rir e se sentia vazio por isso. O dono do circo, já zangado por ter o palhaço mais sem graça do mundo, lhe deu uma vassoura e o serviço de faxineiro do circo.

Naquela noite, enquanto varria, notou algo diferente entre os restos de lixo no chão. Olhou encantado por toda a volta, e se perguntou como não havia visto antes o monte de risos e sorrisos ali soltos, espalhados pelo chão. Correu para recolher aquela porçado de felicidade em forma de risada. Eram risadas ardidas e explosivas. Outras baixinhas e contidas. Tinha até algumas risadas que pareciam soluçar.

Pegou algumas e juntou em suas mãos. As risadas tinham cheiro doce. Comeu, e tinha gosto de felicidade. Comeu, comeu e comeu até se encher de risadas. Apagou a lágrma em seu rosto e desenhou uma estrela.

Na noite seguinte, quando as cortinas se abriram, o palhaço fez sua melhor palhaçada. As risadas da platea lotada lotaram o picadeiro e eram sem fim.

Sentada assistindo ao maior espetáculo da Terra e com a barriga doendo de tanto rir, a menina apontou para o palhaço e disse bem alto, sem pensar em mais nada: “Vejam! O palhaço é um homem todo cheo de risada”.


Alexandre Rampazo
Escritor e ilustrador de diversas obras - como A Menina que Procurava - deixou o trabalho como diretor de arte para se à paixão pela literatura infantil


HISTORINHA PUBLICADA NA REVISTA CRESCER

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A historinha do dia

Gente,

como prometido, aqui está a segunda parte de 'Narciso quer ir à lua'. Para quem não acessou ontem, a historinha ficou comprida e foi dividida em duas partes - a primeira foi postada ontem e a segunda, hoje. Para quem ainda não havia lido, leiam primeiro a postagem de ontem e então a de hoje.

Espero que vocês gostem do final. Dos finais, aliás: como eu tinha dito, fiquei na dúvida e acabei criando mais de um, mesmo... ;)

Mil beijos e bons sonhos!!!
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Narciso quer ir à lua - parte final



Narciso quer ir à lua - parte final



Narciso acordou antes do despertador tocar. Estava ansioso, ansiosíssimo! Contava os segundos para chegar à lua. Correu até o armário do pai e pegou outro cinto. Era preciso instalar mais um, para que Júlia pudesse viajar em segurança. Desceu as escadas voando até o quintal. Olhou sua nave, e só então reparou. As bombinhas não fizeram a nave levantar voo, mas queimaram parte da pintura. Pegou as tintas e, rapidinho, fez os retoques. Pronto. A nave estava tinindo de nova outra vez! Mal ele terminou e Júlia chegou sorridente.

  • Nossa, Narciso. Como a sua nave tá bonita!

  • Acabei de pintá-la de novo. Trouxe os biscoitos?

  • Trouxe. Posso pintar umas flores, para verem que eu também estou na nave?

  • Pode. Mas só duas flores, para saberem que a nave é de menino!

  • Quatro!

  • Três!

  • Está bem, três. Mas na parte de trás!

  • Eu pinto do lado. É mais bacana.

  • Está bem, mas anda logo. Temos que ir e voltar antes do almoço.

  • Tá, tá. Então me ajuda aqui.

Os dois viraram a nave de lado e a menina pintou três flores: uma rosa, uma vermelha e uma amarela. Em cima delas, escreveu: Nave do Narciso e da Júlia. O menino reclamou:

  • A nave é só minha, Júlia!

  • Se não for minha também, não te dou o combustível!

Os olhos do pequeno viajante brilharam. O combustível! Ela conseguira, afinal?

  • Você trouxe?

  • Claro que sim! Não disse que ia trazer?

  • Qual é o combustível?

  • Gasolina, claro.

  • Você acha que é o combustível certo?

  • Ora, Narciso, se faz carro andar, vai fazer a nave andar também!

  • E como você conseguiu gasolina?

  • Peguei da mobilete da minha irmã. Mas, olha... se ela te perguntar, não fui eu não, hein!

  • Tá, tá.

  • Promete?

  • Prometido! - disse Narciso, esticando a mão para outro aperto de mãos. Ele e Júlia tinham muitos acordos e segredos e um nunca seria capaz de trair o outro.

  • Então. Onde colocamos a gasolina? - continuou Júlia.

  • As bombinhas eu colei na parte de baixo da nave...

  • Mas a gasolina não dá, né, mané! Tem que ter um tanque.

  • Tanque? A gente vai lavar roupa ao invés de comer queijo, é? - debochou o menino.

  • Não, não. Ai, você não sabe de nada, mesmo. Tanque de combustível, óbvio!

  • Eu não tinha nem pensado nisto... - confessou Narciso.

  • Pois trate de pensar! A gente tem que colocar a gasolina em algum lugar, senão não saímos do chão.

  • Aguenta aí que eu já volto ! - disse Narciso, correndo para dentro de casa.

O menino foi até seu quarto e revirou tudo. Achou, enfim, o que buscava. Pegou e voou de volta para o quintal.

  • Pronto, tá aqui! - anunciou.

  • O que é isso? - Júlia não sabia o que era aquele brinquedo.

  • É meu batmóvel! Olha só, ele tem um tanque bem grande aqui atrás – disse Narciso, virando o carro para mostrar à amiga.

  • Então tira ele e põe do lado da nave.

  • É pra já!

Narciso tirou o tanque do batmóvel, um carro enorme no qual ele conseguia subir e pilotar até o ano anterior. Agora crescera mais e o brinquedo se tornara pequeno. Mas o tanque ainda serviria, com certeza. Pegou mais fita durex e, sob o atento olhar de Júlia, pregou o tanque na lateral da nave. A lateral sem as flores, claro!

  • - Pronto. Tá instalado – comunicou o menino.

  • - Então abre a tampa que eu vou colocar a gasolina – disse Júlia, tirando de dentro de sua mochila uma garrafinha de água cheia do combustível.

A menina despejou devagar todo o líquido dentro do tanque improvisado. Sem que precisassem dizer uma única palavra, os dois amigos se olharam. 'A hora é esta', era a frase dita no silêncio do olhar. Narciso puxou os dois cintos, pegou o menor e estendeu para Júlia. A menina afivelou-se sem problemas, enquanto o amigo fazia o mesmo. Num piscar de olhos a nave estava pronta para decolar, com o tanque cheio de combustível e a tripulação a bordo.

  • E agora, Narciso? - perguntou Júlia

  • Agora a gente liga a nave.

  • Como?

  • Bom, era para ser uma chave, mas eu instalei a lanterna. Serve de farol extra e chave de ignição.

  • Ah, tá. Liga, então.

  • Vou ligar, se prepara!

Narciso ligou a lanterna. Nada. Desligou, ligou de novo. Nada. Tentou uma terceira vez. Júlia ficou impaciente.

  • Esta chave de ignição não funciona. Melhor a gente tentar outra coisa.

  • Como o que?

  • Não sei...

  • E se a gente jogasse uma bombinha de São João dentro do tanque?

  • Será que funciona?

  • Acho que sim.

  • É, não custa tentar.

  • Espera aí rapidinho que eu vou lá no meu quarto buscar e já volto.

  • Vai logo!

Narciso pegou a última bombinha que tinha, uma caixa de fósforos e foi para o quintal. Júlia já tinha tirado o cinto e o esperava do lado de fora da nave, com o tanque de combustível aberto e o forte cheiro de gasolina exalando pelo ar. O menino aproximou-se dela, mostrando a bombinha e os fósforos e...

Foi justamente neste minutinho que a mãe de Narciso chegou do mercado.

Chegou e levou um susto: de onde vinha aquele cheiro? Ao encontrar o filho e sua amiga à beira de tacar fogo na gasolina, perdeu a cor por um segundo. Apenas por um segundo, porque no seguinte ela já estava de fôlego refeito lhes dando uma tremenda bronca:

  • Vocês estão doidos? Querem incendiar tudo? Se jogarem fogo aí dentro não vai ter foguete indo pro espaço, vai ter vocês dois e a casa inteira junto, picadinhos pelos ares!

E foi só então que as duas crianças se deram conta do perigo que estavam correndo. Gasolina causa incêndios horríveis. Como não tinham pensado nisto antes? Envergonhado, Narciso disse timidamente:

  • Desculpa, mamãe, nós não pensamos direito. Tudo o que queríamos era ir até a lua para comer queijo...

  • Comer queijo na lua? - perguntou Dona Lúcia, mãe de Narciso.

  • Comer o queijo da lua – corrigiu Júlia.

  • Que história é esta?

E então Narciso e Júlia contaram para Dona Lúcia que a lua era feita de queijo – pelo menos foi isto que o primo da Júlia lhe dissera – e que estavam construindo uma nave espacial para ir até lá tirar umas lasquinhas.

Ao final da história, a mãe de Narciso já havia se esquecido do perigo, da bronca, de tudo. Estava às gargalhadas.

  • Só vocês, mesmo... - disse, rindo. - Em primeiro lugar, a lua não é feita de queijo, e sim de uma matéria rochosa. Em segundo, ainda que fosse feita de queijo, para chegar lá vocês precisariam estudar muito, tornarem-se astronautas e viajar numa nave apropriada. E em terceiro, para comer queijo vocês não precisam ter tanto trabalho. Eu acabo de trazer um queijo delicioso do mercado e vocês podem comer o quanto quiserem. Contanto que prometam se comportar e não se meter mais em confusão!

  • Nós prometemos! - disseram os dois, ao mesmo tempo.

Então Narciso e Júlia entraram e comeram queijo e queijo e queijo até se cansarem, sem nem precisar sair de casa.


E este seria o fim desta história, não fosse Narciso, além de guloso, curioso até não poder mais...

Ele ficou na dúvida entre quem estaria falando a verdade e resolveu tirar sua teima. Cresceu, sempre muito estudioso, e tornou-se um grande astronauta. Um dia ele chegou lá, na lua. Tocou no solo, viu do que era feito. Sorriu satisfeito e voltou para casa feliz...


Você quer saber se a lua é feita ou não de queijo? Então você pode ser um astronauta, como o Narciso. E, quando você descobrir, me conta!



Não gostou deste final? Tem outro:



E este seria o fim desta história, não fosse Narciso realmente o menino que mais gosta de queijo no mundo. Narciso cresceu sabendo distinguir os diferentes tipos, a origem, a

a consistência certa dos queijos. Tornou-se um renomado chef de cozinha, aplaudido no mundo todo por suas receitas de queijo. E Júlia, sua amiga de infância, continua sendo sua parceira. Até hoje é ela quem está ao seu lado, opinando na hora de decidirem o cardápio do restaurante que os dois montaram juntos...




Quer mais um final?



Crie você! Coloque Narciso e Júlia na nave e os leve à lua; faça com que eles tenham uma dorzinha de barriga de tanto comer queijo; que eles se tornem amigos dos ratos de toda a vizinhança e dividam com eles todo o queijo do bairro. Invente o que quiser! E depois me conte como ficou! :)

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A historinha do dia

Gente,

quando eu escrevi, sábado, a recomendação do 'Livro da Semana', eu disse:

'Quem nunca viajou até a lua quando era pequeno? Eu viajo até hoje!'

Bom, não sei se foi por ter escrito isto, por ter citado o livro ou por ter mencionado Flicts semana passada. Fato é que, estes dias, eu tenho viajado bastante até a lua. E, claro, quis levar alguém comigo! =)

A historinha do dia conta como Narciso, um menino louco por queijo, quer muito ir à lua quando descobre que - vejam só! - a lua é feita todinha de queijo!!! Sua amiga Júlia, que lhe contou a novidade, vai ajudá-lo nesta missão. E juntos, eles...

Paremos por aqui! Eu acordei com gana de escrever. Sentei, já são 5 páginas e meia no word e meus heróis ainda não saíram do quintal... A historinha está grande e, para não ficar cansativa, eu a dividi em duas partes. Acabo de postar a primeira e amanhã eu posto o final. Que eu ainda não escrevi porque fiquei numa dúvida... Talvez esta seja a primeira historinha do blog com dois finais - e cada um escolhe o que gostar mais! Vamos ver, amanhã, como é que fica. Quem sabe até lá eu me decido, né?

Por hoje, a primeira parte da historinha que, como sempre, é uma historinha em si, para ninguém ficar com água na boca. Espero que curtam!

Mil beijos e bons sonhos!!!!
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Narciso quer ir à lua - Parte 1

Narciso quer ir à lua



Narciso acordou com uma vontade danada de ir até a lua. Estava com esta vontade desde a tarde do dia anterior quando, no recreio, Júlia lhe disse que a lua era todinha feita de queijo. E Narciso era o menino que mais gostava de queijo no mundo: branco, amarelo, cremoso e até aqueles bem fedidinhos –

Narciso devorava todos! Quando soube, então, que a lua era feita de queijo, nasceu nele uma vontade grande, grande, grande, de ir até lá.

Depois do café da manhã – onde sempre comia um queijo-quente, como era de se esperar -, começou a arrumar sua bagagem. Pegou uma mochila e abasteceu-a com tudo o que precisaria para sua viagem: um pacote de torradinhas, um pãozinho francês, três fatias de pão de forma e meio pacote de biscoito cream cracker. 'Vou ter bastante coisa para acompanhar aquele queijo todo', pensou. Abriu a geladeira e pegou ainda duas caixas de toddynho. Porque queijo dá um pouquinho de sede, vocês sabem.

Narciso saiu de casa e, logo na esquina, parou no ponto de táxi. Os motoristas conversavam distraídos, mas um logo reparou no menino. Foi até ele:

  • Olá, filho. Você quer ir para algum lugar?

  • Quero sim, senhor, e tenho pressa!

  • Sua mãe sabe que você está aqui na rua, sozinho?

  • Sabe, sim. Deixei um bilhete dizendo que daria uma saída e já voltava.

  • Muito bem. E para onde você quer ir?

  • Para a lua!

  • Para a lua?

  • Sim, eu quero ir para a lua! Me leva lá?

  • Desculpa, filho, mas eu não posso levá-lo até a lua.

  • Por que não? Eu tenho dinheiro, olha! - disse Narciso, catando várias moedinhas do bolso.

  • O problema não é este, garoto. O problema é que meu táxi não pode te levar até a lua.

  • Não pode?

  • Não. Não pode. Para isso você precisa de um táxi espacial.

  • E onde fica o ponto do táxi espacial?

  • Ih, rapaz, nesta você me pegou! Olha, eu acho que fica longe, em outro país.

  • Em outro país?

  • Pois é. E não sei se levam meninos, não. Acho que você teria que crescer mais um bocado...

Narciso voltou para casa triste. Como faria para pegar o tal táxi espacial? Como chegaria neste outro país onde fica o ponto? Pensou e pensou. Viu que era muito difícil pegar o táxi espacial, então teve uma ideia: construiria sua própria nave para ir até a lua!

O menino juntou tudo o que precisava para construir uma boa nave espacial. Pegou algumas caixas bem grandes de papelão, muitas tintas – era importante fazer uma nave bem colorida, para que os passarinhos saíssem de seu caminho – um farol quebrado de bicicleta, uma buzina, sua lanterna de escoteiro, tachinhas, fita durex e, claro, algumas bombinhas de São João.

A tarefa era dura, mas Narciso estava empenhado. Começou cortando as caixas de papelão. Com a fita durex, unia as pontas – que pregava com tachinhas, para ter certeza que aguentariam a viagem. Pintou a nave bem bonita, cheia de cores. Na parte da frente, colocou o farol (ele conseguiu ajustá-lo usando um tantinho de papel alumínio e nem dava para ver que estava

quebrado); acima dele a lanterna. Por dentro, instalou a buzina. Em toda a lateral, as bombinhas de São João. Agora só faltava zarpar rumo à lua! Pegou um cinto de seu pai, amarrou-o em volta da nave e se colocou dentro dele. Era muito importante estar com um cinto de segurança em uma viagem à lua, como vocês devem imaginar. Acendeu as bombinhas e…tec, tac, tec! As bombinhas estouraram, sem que a nave levantasse nem mesmo um tiquinho do chão.

  • Narciso, vem almoçar! Anda, senão você se atrasa para a escola!

  • Já vou, mamãe!

Narciso estava arrasado! Uma nave tão bonita, mas que não levantava voo. E agora já estava na hora da escola, hoje não conseguiria chegar até a lua.

Foi para a escola, cabeça baixa e ar distraído. Não prestou muita atenção ao que a professora dizia. Seu pensamento estava muito distante dali. Na lua...

Na hora do recreio, sentou num canto da quadra. Júlia chegou num pulo, perguntando de uma vez:

  • Ei, que bicho te mordeu hoje?

O menino contou, tintim por tintim, tudo o que acontecera. A amiga riu:

  • Você é bobo mesmo, hein, Narciso! Você acha que bombinha de São João é combustível de foguete?

  • Eu achei que dava para...

  • Deixa de falar besteira! Tem que ter algo que funcione de verdade.

  • Como o que?

  • Não sei... Vou pensar em alguma coisa e amanhã de manhã eu vou lá para tua casa. Mas você tem que prometer que me leva junto!

  • Eu te levo. Mas se você levar mais biscoitos, para podermos comer o queijo todo!

  • Combinado!

Os dois apertaram as mãos, selando o acordo. Amanhã, enfim, viajariam até a lua...

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A historinha do dia + poesia

Gente,

hoje, 14 de fevereiro, é comemorado o dia dos namorados nos Estados Unidos. E, até onde eu saiba, o jeito deles é um pouco diferente do nosso: é um dia para dizer 'eu te amo'. Mas não o 'eu te amo' entre apaixonados, apenas. O 'eu te amo' entre duas pessoas que se amam. Inclusive amigos. Portanto, quero tirar o dia para dizer um grande 'EU AMO VOCÊS MUITÃO!!!' E adoro receber o tantão de amor que vocês me mandam de volta! ;)

Bom, aqui no blog, 14 de fevereiro é também o dia de dizer 'sou mais feliz desde 1986!!!' Muito, muito mais feliz!!! Sim, eu sei. O Brasil perdeu a Copa naquele ano... Em compensação, eu ganhei um irmão caçula! O irmão mais lindo, carinhoso e generoso que alguém pode querer. E que eu e minha irmã temos a sorte de ter!!!! Frê, nós te amamos muito, muito, muito! Muitos mais do que palavras conseguiriam descrever... Ontem, em homenagem a ele, o blog falou de futebol. Hoje, também como homenagem, fala de sorvete! =D E em forma de poesia, num lindo continho publicado na Revista Crescer. Vocês estavam com saudades de poesias? Eu estava! :) Estava com tantas saudades que ainda trouxe uma das poesias lindas de Ivone Jorge para iluminar o nosso dia. Obrigada, Ivone, mais uma vez, pelas suas lindas palavras!

E isto não é tudo... Tinha que ter uma historinha de amor, não é? E tem! Mas não está aqui! Está na página do blog, no facebook. A historinha de amor mais linda de todos os tempos, e com direito a final feliz! Adivinharam qual é? Estão curiosos? Passem lá na página do blog e descubram! O endereço é este:

Então é isto! Que todos tenhamos um dia apaixonante!!!

Mil beijos e bons sonhos!!!!

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Quero morar num sorvete - Penélope Martins

Penélope Martins (autora)e Rebeca Drumond (ilustradora)


Rebeca Drumond

Quero morar num sorvete
Pobre do Jacaré que míngua
Encolhido vai virar lagartixa
Parece mentira a fala minha
Mas até suor brota da língua!
Eis que surge uma ideia fabulosa
Refrescante, genial e gostosa
Uma explosão de contente:
QUERO MORAR NUM SORVETE!
Brisa suave, camisa de algodão
Chinelos de dedo, bermudão
Uma casinha de sorvete.
Sem calda de caramelo ou chantilly Sem confeito que derreta por aqui Uma casinha de sorvete
Não quero nada chique,
complicado
Tralhas que deixam tudo
melecado
E até vem bronca por ser
desleixado...
Gelado, simples, com sabor natural Pequenos flocos prismáticos
Casinhas de tamanho exato
Nada de fenomenal
Sem sofisticação
Um simples sorvete de limão.


Conto publicado na REVISTA CRESCER

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Filhos - Ivone Jorge


FILHOS

É o melhor bem do mundo
o essencial do nosso ser
são sangue do nosso sangue
nosso ventre os viu crescer

o dia mais feliz
do milagre verdadeiro
a alegria assim o diz
é amor a tempo inteiro

não se pode imaginar
que os podemos ver sofrer
todo instante só queremos
sua vida proteger

por eles morreriamos
um momento para sempre
a benção dos conceber
é o seu maior presente

Ivone Jorge
Sociedade Portuguesa de Autores nº124378
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A historinha do dia

Gente,

bom dia! Como foi o final de semana de vocês? O meu foi bem agitado, como sempre...

Bom, final de semana tem futebol, certo? Eu não ligo para futebol. Ou, melhor dizendo: não ligo para assistir a jogos na televisão. Todas as vezes em que fui ao estádio me diverti demais! Antes que me perguntem, já digo: sou flamenguista! Sim, sou flamenguista, filha de uma vascaína fanática - com uma família quase toda vascaína - e de um torcedor do São Cristóvão que, já tendo vivido mais de quarenta anos sem ligar para 'um bando de homens correndo atrás de uma bola', virou um torcedor legítimo do Botafogo, para acompanhar o filho caçula ao Caio Martins... Sim, isto mesmo: meu irmão é botafoguense roxo! E minha irmã vascaína - alguém tinha que agradar à mamãe, né? :0) Achou pouco? Eu também achei! Por isso me casei com um tricolor. E juntos estamos tentando fazer com que o Davi torça para o América...

Brincadeiras à parte, eu realmente não ligo para a disputa de times. Cresci no meio de todos. Se era o flamengo na final, era bandeira dele na janela da minha casa. Se era o Vasco,era a bandeira do Vasco. O Botafogo sempre tinha bandeira, porque meu irmão é muito mais novo e eu e minha irmã sempre lhe demos esta colher de chá... Enfim, não entendo porque as pessoas se tornam, muitas vezes, agressivas quando o assunto é futebol. Duelam, achando que seu time é melhor do que o outro. Por que é melhor? Deve dar alegrias para aquela pessoa - assim como o seu time lhe dá. Besteira isto de brigar, não? Eu vejo os jogadores se cumprimentando, rindo, se abraçando ao final dos jogos e penso: 'olha que bacana! Futebol é um esporte divertido! Porque as torcidas não se divertem com isto tudo, também?'

Eu já venho pensando nisto há algum tempo. Desde o ano passado, nos jogos do Vasco, quando li muitos e muitos comentários no facebook que me deixaram um pouco surpresa. Algumas pessoas parecem achar que futebol não combina com boa educação, né? Bem triste, isso. Porque futebol combina, sim. Com boa educação e respeito. O Vasco perdeu no dia do meu aniversário e eu não deixei que ninguém falasse uma vírgula. Em respeito à minha mãe e irmã, que torceram tanto, aos outros milhões de torcedores e ao próprio time que, no final das contas, merecia ter levado o título. Mas isto é só a minha opinião.... E porque eu estou falando tudo isto? Simples! Porque amanhã é aniversário do meu primeiro xodó, meu irmãozinho amado, que, quando criança, passava horas e horas colocando seus Comandos em Ação para jogar bola, narrando as melhores partidas que já ouvi na vida. E, por isso, a historinha do dia é sobre uma partida de futebol. Uma partida de futebol como tem que ser: disputada, suada e feliz! Em historinha e na vida real, porque assim é que é bonito de torcer!

Mil beijos e bons sonhos!!!!
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A partida de futebol

A partida de futebol




Era um domingo de sol e, como em todos os domingos, dia de futebol. Naquele domingo, no entanto, não haveria apenas uma partida: seria a decisão do campeonato! As duas maiores torcidas, cada uma de um lado do arquibancada, veriam seus craques correndo atrás da bola, deslizando pelo campo, buscando o tão sonhado gol. Todos estavam eufóricos!

Pouco depois das três o estádio já estava cheio. Os jogadores, na concentração,

combinavam o modo de ataque, a melhor defesa. Cada movimento contava, eles sabiam. Futebol é um jogo de equipe: precisavam estar bem afinados, todos no mesmo tom, para saírem vencedores. Dois times, dois concorrentes e a mesma vontade de levantar a taça.

Às quatro em ponto o juiz apitou e o jogo começou. E começou bem começado, com Dedé correndo direto entre seus oponentes, na gana de alcançar o gol. Conseguiu passar ligeiro e deu um chute forte...que foi parar nas mãos de Diego, o goleiro do outro time. Este foi apenas o primeiro de muitos lances ousados. Todos os jogadores, naquele domingo, viraram atacantes: todos eles queria fazer um gol, para desespero dos goleiros, que viravam e se reviravam como dava, tentando impedir a redonda de tocar o lado de dentro da rede.

Em uma jogada não ensaiada, Thiago conseguiu vencer a barreria inimiga e, para desespero de Fernando, o goleiro, marcou o primeiro ponto do jogo. Um a zero, a arquibancada do lado de cá quase veio abaixo! Gritos de 'é campeão' faziam tremer o estádio inteiro, enquanto o jogador, orgulhoso, jogava beijos para a plateia.

A disputa continuava acirrada e, não demorou muito, foi a vez da outra torcida comemorar. Alex conseguiu vencer a barreira de Diego e empatou o jogo, sob o grito de 'Vamos virar!' de sua torcida.

Bernardo passando para Felipe, Leandro impedindo, se jogando na frente da bola.

  • É falta! Foi no calcanhar dele! - gritava a torcida de cá.

  • Foi na bola! Foi na bola! - gritava a torcida de lá.

O juiz correu para o lance, mas não tinha visto o que acontecera. Lançou um olhar de súplica para o bandeirinha, que acenou. Foi falta, sim. Marcada na hora, o jogo seguiu.

Vieram outras faltas, veio um pênalti – perdido, para desespero do batedor e da torcida inteira! - vieram muitos lances. Gol, mesmo, não vinha. E então, de repente, veio, sem ser convidada, uma presença inesperada.

No meio daquela confusão de ataque e defesa, caiu o primeiro pingo sem que ninguém sentisse. Por pouco mais de um segundo, porque em seguida ela veio forte e impiedosa. A chuva!

A chuva encharcou os jogadores em minutos. A arquibancada esvaziou rapidamente, com muitos procurando abrigo. Os fanáticos continuaram ali, torcendo, empurrando os times para a frente. Os jogadores caíam no campo molhado, levantavam imundos. E continuavam correndo atrás da bola.

Os jogadores poderiam ter suportado a chuva o resto da partida. Era uma decisão de campeonato, afinal, não deveriam desistir por conta de um tantinho de água a cair do céu. Mas nem todo mundo pensava assim...

A primeira a aparecer, exatos seis minutos depois do começo da chuva, foi a Dona Almerinda. De capa e segurando um guarda-chuva, gritou para o artilheiro Dedé:

  • André, sai da chuva agora! Não quero você resfriado! Vamos embora para casa!

O menino não teve tempo de argumentar:

  • Mas, mamãe...

  • Nem mas, nem meio mas. AGORA! - disse, firme, obrigando o menino a deixar o campo.

Em seguida vieram a Dona Laura, a Dona Estela, a Dona Carmela... uma a uma, todas as mães do bairro correram até o campinho para levar seus campeões para casa.

A arquibancada improvisada com cadeiras de praia logo deixou de existir e o campinho de terra batida virou uma enorme poça de lama. Que triste fim para um campeonato... Mas só até domingo que vem, porque aí já é outro dia, com novos ânimos, muita animação e a vontade de ver seu time ser campeão de novo. Porque quando se é criança, todo domingo é dia de campeonato. E todo mundo que sabe aproveitar isto já é um campeão.

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O livro da semana


Gente,

como eu disse na quinta-feira, agora, aos sábados, vou passar aqui para deixar uma sugestão de livro para vocês. Pensei em qual seria minha primeira sugestão de livro para vocês e acabei escolhendo o fofíssimo 'Como pegar uma estrela', de Oliver Jeffers. Qual a razão dele ter sido o escolhido? Vamos às razões da blogueira para amar o livro! =)


Como eu cheguei neste livro:

Em meados do ano passado, num final de semana de inverno, tínhamos duas festinhas infantis: uma no sábado, outra no domingo. Dois menininhos completando dois aninhos: Enzo e João Marcelo. Como já disse, só dou livros de presente, então fui para a Livraria da Travessa do Barra Shopping (amo!). Olha daqui, olha dali, o livro numa prateleira baixa me chamou a atenção. O título, o desenho, as cores, tudo me atraíu. Peguei o livro, sentei e li. Terminei de ler com um sorriso largo na cara e a certeza de que aquele seria o presente ideal. Só tinham dois exemplares, peguei um para cada um dos aniversariantes e saí de lá feliz da vida!

Voltei, depois, para comprar uma cópia para o Davi. Cadê? Não tinha mais... Fiquei 'aguando', mas pouco depois consegui 'Achados e Perdidos', do mesmo autor, para o meu pequeno. E, neste aniversário, o dindinho deu 'Como pegar uma estrela' para o Davi. Fiquei toda feliz!!!!

A reação das crianças:

Pouco tempo depois do aniversário do Enzinho, a Thaty, mãe dele e minha amiga de longa data, comentou o quanto ele tinha amado o livro. Segunda-feira passada, minha amiga Barbara, mãe do JM, veio aqui em casa e me contou que o João adorava o livro, que cada hora ele deva um nome para o menininho das ilustrações - e que, recentemente, o menininho tinha virado ele mesmo, João Marcelo...
Li para o Davi pela primeira vez na terça-feira, ao colocá-lo para dormir. Ele apontou as estrelas do livro e riu. De lá para cá, já pegou o livro e me entregou diversas vezes, apontando as estrelas da capa e rindo. Curtiu de verdade e eu adorei esta curtição dele!


Faixa Etária recomendada:

A partir dos dois aninhos a criança já entende a história, que é fácil. E como a historinha é mesmo uma graça, não há limites de idade. Eu tenho 35 e adoro! :)


Meu trecho favorito:


'O menino pensou que poderia sair voando na sua nave espacial, agarrar a estrela e pronto. Mas sua nava espacial estava sem gasolina desde a terça-feira passada, quando ele havia voado até a lua.'

Eu adoro este trecho! Sintetiza bem a imaginação de uma criança. Quem nunca viajou até a lua quando era pequeno? Eu viajo até hoje! ;)


Dados do livro:

Título: Como pegar uma estrela (How to catch a star, no original)
Autor e Ilustrador: Oliver Jeffers
Editora: Salamandra


É isto. Espero que vocês possam ler o livro e curtir tanto quanto eu.

Beijos mil!!!!

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A historinha do dia

Gente,

eu sou fã do Ziraldo! Fã mesmo, naquele nível que, se me perguntam que cor é a lua, respondo que a lua é Flicts! :) Adoro o jeito dele de contar histórias - e gosto de todas elas! Mas, não tem jeito. Tem sempre aquela que marca muito, né? No meu caso, como acho que no de muita gente, a história do Ziraldo que mais marcou a minha infância foi aquela através da qual eu conheci sua obra - sim, foi através dele, ele mesmo: 'O Menino Maluquinho'.

Acho 'O Menino Maluquinho' o melhor resumo de uma infância feliz. Foi a infância que eu tive, é a infância que eu quero para os meus filhos. Gosto demais desta história! Tanto que este foi o tema escolhido para a festinha de dois anos do Davi! =D Quando eu postar fotos da festa vocês vão ver: ficou diferente e divertida. Tinham as pipas no bolo, a trave do goleiro, bolinhas de gude... Mas isto fica para um post posterior, quando eu mostrar para vocês a festa do meu filhote. Hoje, vamos curtir a versão online da história do Menino Maluquinho. Que é mais curtinha, mas também uma delícia de ler. Vamos lá?

Mil beijos e bons sonhos!!!!
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O Menino Maluquinho - Ziraldo




Uma historinha inesquecível do Ziraldo...
Era uma vez,
um menino maluquinho
Ele tinha o olho maior que a barriga
tinha fogo no rabo
tinha vento nos pés
umas pernas enormes
(que davam para abraçar o mundo)
e macaquinhos no sótão
(embora nem soubesse o que significava
macaquinhos no sótão).
Ele era um menino impossível!
A melhor coisa do mundo
na casa do menino maluquinho
era quando ele voltava da escola
A pasta e os livros
chegavam sempre primeiro
voando na frente
Um dia no fim de ano
o menino maluquinho
chegou em casa com uma bomba:
"Mamãe, tou aí com uma bomba!"
"Meu neto é um subversivo!"
gritou o avô.
"Ele vai matar o gato!"
gritou a avó.
"Tira esse negócio daí!"
falou - de novo - a babá.
Mas aí o menino explicou:
"A bomba já explodiu, gente.
Lá no colégio."
"Esse menino é maluquinho!"
falou o pai, aliviado.
E foi conferir o boletim.

Esse susto não era nada
tinha outros que ele pregava.
Às vezes
sem qualquer ordem
do papai e da mamãe
se trancava lá no quarto
e estudava e estudava
e voltava do colégio
com as provas terminadas
tinha dez no boletim
que não acabava mais
Ele dizia aos pais
cheio de
contentamento
"Só tem um zerinho aí.
Num tal de
comportamento!"
A pipa que
o menino maluquinho soltava
era a mais maluca de todas
rabeava lá no céu
rodopiava adoidado
caía de ponta-cabeça
dava tranco e cabeçada
e sua linha cortava
mais que o afiado cerol.
(ele não usava cerol, sabia que era perigoso!)
E a pipa quem fazia
era mesmo o menininho
pois ele havia aprendido
a amarrar linha e taquara
a colar papel de seda
e fazer com polvilho
o grude para colar
a pipa triangular
como o papai
lhe ensinara,
do jeito que havia
aprendido com o pai
e o pai do pai
do papai.
Era preciso ver
o menino maluquinho
na casa da vovó!
Ele deitava e rolava
pintava e bordava
e se empanturrava
de bolo e cocada
E ria com a boca cheia
e dormia cansado
no colo da vovó
suspirando de alegria

E a vovó dizia:
"Esse meu neto é tão maluquinho"
O menino maluquinho tinha dez namoradas!
Ele era um namorado
formidável
que desenhava corações
nos troncos das árvores...
e fazia versinhos...
e fazia canções.
E se machucava
nos paralelepípedos...
e rasgava os fundilhos no arame da cerca
e tinha tanto esparadrapo
nas canelas e nos cotovelos
e tanta bandagem na volta das férias
que todo ano ganhava
dos colegas no colégio
o apelido de
Múmia !
E chorava escondido
se tinha tristezas
O menino maluquinho
tinha lá os seus segredos
e nunca ninguém sabia
os segredos que ele tinha
(pois segredo é justo assim).
Tinha uns mais segredáveis
E outros que eram
menos.
O menino maluquinho
jogava futebol.
E toda a turma ficava esperando
ele chegar pra começar o jogo.
É que o time era cheio de craques
e ninguém queria ficar no gol.
Só o menino maluquinho
que dizia sempre:
"Deixa comigo!"
E ia rindo pro gol para o jogo começar.
E o menino maluquinho
voava na bola
e caía de lado
e caía de frente
e caía de
pernas pro ar
e caía de bunda no chão...
E a torcida ria e gostava de ver
a alegria daquele goleiro.
E todos diziam:
"Que goleiro maluquinho!"
E aí, o tempo passou.
E, como todo mundo,
o menino maluquinho cresceu.

Cresceu e virou um cara legal!

Aliás,
virou o cara mais legal do mundo!

Mas um cara legal mesmo!
E foi aí que
todo mundo descobriu
que ele não tinha sido
um menino maluquinho
ele tinha sido era
um menino feliz!