1

O menino dos carrinhos...





Flávia e Fabio já vinham conversando sobre isto. Tinham um sonho que queriam tornar realidade, mas ficavam se perguntando 'será esta a hora certa?' Queriam muito um filhinho, mas não sabiam qual seria o melhor momento para tê-lo.

Papai do Céu, que sabe mais do que todos nós, olhou para baixo e decidiu que aquela era a hora certa, sim! Tinha tanto amor ali, naqueles dois, que não dava para ficar a dois. Tinham que dividir. E então Papai do Céu resolveu mandar-lhes um presente. E como o amor era muito, não mandou qualquer presente. Mandou-lhes um Rei!

Desde o primeiro minuto, Arthur governou a sua família. Com justiça e bondade, mas sem deixar de ser soberano. Era o rei dos carinhos, o rei das brincadeiras, o rei da baguncinha com o vovô. Era o rei de todos eles, a família toda, que tanto o amava. Foi um bebêzinho adorável e encheu o coração de todos de alegria.

Mas o bebêzinho não pode ficar assim para sempre, e Arthur cresceu. Tornou-se um menininho lindo, que tinha uma grande paixão: seus carrinhos. Começou meio que por acaso. Ganhou um carrinho de alguém. Gostou, pediu outro. E assim ganhou mais um, e mais um e mais outro, até ter uma coleção completa. Arthur passava horas e horas brincando com seus carrinhos, numa felicidade de dar gosto!

Um dia, Arthur estava brincando com seu carrinho verde quando achou que o carrinho sorria para ele. Sorriu de volta. E então, teve a certeza: o carrinho abriu todo o seu pára-choques, num sorriso enorme e prateado. Arthur achou graça e perguntou:

  • Do que você está rindo?

  • Estou rindo porque você está rindo também. Sua felicidade me deixa feliz!

Arthur arregalou os dois olhos e gritou:

  • Você fala!

  • Falo, ué. Você não sabia?

  • Não, não sabia!

  • Então por que você me perguntou do que eu estava rindo?

  • Perguntei, mas não sabia que você podia responder.

  • Posso. Nós conversamos o tempo todo, Arthur.

  • Eu não lembro de já ter conversado com você antes...

  • É que nós conversamos enquanto você está dormindo. Conversamos nos seus sonhos.

  • Ah, entendi. Qual o seu nome?

  • Não sei. Você nunca me deu um nome além de carrinho verde.

  • É verdade. Que nome você gosta?

  • Eu gosto de Cadu. Pode ser?

  • Pode ser. Então você é o Cadu. Prazer, Arthur!

  • Eu já te conheço, pastel! - Cadu falou isto rindo e os dois riram muito juntos.

Passaram o resto da tarde juntos, conversando. Cadu contou para o Arthur que fica muito triste, porque todas as crianças, depois que crescem, deixam de lado seus brinquedos. E que, com o tempo, vão perdendo a capacidade de sonhar, de entrar no mundo do faz de conta.

Arthur e Cadu conversaram até a hora do jantar e depois a mamãe colocou o Arthur para dormir – e ele pediu para levar o Cadu para dormir junto dele. Durante a noite, continuaram conversando.

No dia seguinte, ao acordar, Arthur estava com uma ideia fixa na cabeça. Não é porque a pessoa cresce que deve deixar de sonhar! Pensou em tudo o que o Cadu lhe dissera e resolveu exercer sua soberania. Ali, no reino do Arthur, todos voltariam a ser crianças.

Arthur sabia o que queria, mas não tinha certeza de como o faria. Pensou nisto durante dias, até que teve uma ideia. Perguntou para o papai se ele tinha um brinquedo favorito quando era criança.

  • Claro que eu tinha, Arthur. Era um caminhãozinho de bombeiro.

  • Eu posso ver?

  • Ih, mas eu não sei onde tá guardado!

  • Procura para mim, papai, por favor!

  • Tá, vou procurar.

Arthur fez então a mesma coisa com a mamãe:

  • Mamãe, você tinha um brinquedo favorito quando era criança?

  • Tinha, meu filho, claro. Uma boneca que tinha cabelos cor de rosa. Era feito com fios de lã – a mamãe falou isto dando um sorriso.

  • Pega ela para eu ver, mamãe, por favor.

  • Por que?

  • Porque sim, ué! - e deu um sorriso. A mãe se derretia com seu sorriso e concordou.

  • Está bem, vou ver se ela ainda está guardada no meu armário.

  • Obrigado, mamãe! - Arthur deu um beijo estalado na mamãe e saiu correndo.

Pouco tempo depois, Arthur estava no seu quarto brincando com seus carrinhos quando Flávia entrou trazendo sua boneca. Em seguida, Fabio chegou com seu caminhãozinho de bombeiro. Os dois pareciam felizes em ter encontrado seus velhos brinquedos e Arthur notou isto. Pediu que os pais se sentassem e brincassem com ele.

Deste dia em diante, os pais de Arthur voltaram a ser crianças. Não o tempo todo, claro, mas sempre que se sentavam para brincar com o filho. Voltaram a imaginar como seria o mundo do faz de conta, a querer o impossível. Voltaram a se permitir pequenas loucuras no dia a dia, a rir sem razão e a sonhar, sonhar, sonhar.

Arthur ficou muito feliz em ver os pais tão felizes e continuou fazendo a mesma coisa com outras pessoas que estavam à sua volta. Em pouco tempo, a vovó, o vovô, a dindinha, o titio, a titia, a outra vovó e muito amigos estavam fazendo parte do mundo do faz de conta. Arthur reinava com amor, convidando todos a conhecerem seu reino dos carrinhos. E, uma vez lá, todos voltavam a ser crianças e começavam a sonhar, sonhar, sonhar.

E como Arthur era um rei cheio de boas ideias, continuou sonhando e pensando em outras formas de levar amor a todos ao seu redor. Lembrava-se sempre do que Cadu lhe dissera, que as crianças esquecem seus brinquedos, e arrumou solução para isto. Conversava com os amigos, dizendo 'se você tem um brinquedo esquecido no canto do armário, dê para uma criança que não tem brinquedo nenhum! Você vai ficar feliz ao fazer isto, o brinquedo vai ficar muito feliz em ter novo dono e a criança vai ficar muito muito muito feliz em ter algo para brincar!' E assim, pouco a pouco, seus amigos começaram a doar os brinquedos antigos.

Arthur foi construindo uma rede de amor por onde passava. Levava todo seu carinho escondido em cada um de seus carrinho e fazia com que os adultos voltassem a sonhar, e que as crianças soubessem aproveitar seus brinquedinhos.

Lá do alto, Papai do Céu assistia a tudo com grande alegria. 'Muito bem, menino dos carrinhos. Leva Meu amor dentro de você, e espalha-O ao seu redor.' Porque embora Arthur não soubesse disto, ele era um Rei de verdade. Um rei que foi trazido ao mundo com muito amor, e por isso espalha amor por onde passa, enchendo o coração de todos de uma alegria sem fim. Algo inexplicável, algo assim...tão bom como ter dois aninhos e ser o rei dos seus carrinhos!



Esta historinha foi ilustrada pela Carol Horácio e o traço único, divertido, original e lindo dos Bonequinhos de Palito!!! Dêem uma olhada:

www.bonequinhosdepalito.com.br










1 comentários:

Claudia Quirino disse...

Meu Arthur adorou a história

Postar um comentário