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A historinha do dia

Gente,

o computador daqui de casa deu tilt ontem à noite. Escrevi a historinha do dia agora, no netbook - ainda bem que meu marido ansioso me deu o presente de dia das mães com antecedência! :-). Não estou conseguindo, no entanto, editar as gravuras que selecionei. Vou insistir, mas se eu não conseguir agora, depois eu coloco - e aviso.

A historinha do dia trata de uma menina que adora a gata de sua tia e, por esta razão, acha que não pode gostar de cachorros. E seus pais querem ensiná-la que, mesmo que você não concorde com a opinião dos outros, deve sempre respeitá-la.

É isto. Espero que gostem.

Mil beijos e bons sonhos!
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A menina que não gostava de cachorros

A menina que não gostava de cachorros


Betina era uma menina educada, esperta e muito dócil. Era extremamente zelosa no cuidado com seu aquário, mantendo-o sempre limpinho e dando a ração para seus peixinhos. Adorava a cacatua da vizinha do apartamento do lado, a Mary, e sempre que podia ia visitá-la – levava pedacinhos de cenoura e ficava um tempão conversando com a ave enquanto ela mastigava o presente. Mas a maior loucura de Betina era Filó. Filomena, ou Filó para os íntimos, era a gata angorá de sua tia-avó. A tia Zefa morava relativamente perto, e como ela não tinha tido marido nem filhos, Filó era como se fosse sua filha: coberta de mimos. Os pais de Betina, todo sábado, diziam para ela se vestir bem bonita porque iriam visitar a tia Zefa. Betina adorava! Não apenas porque tia Zefa fazia um doce diferente a cada sábado, mas porque ela podia ficar a tarde toda brincando com Filó. Tia Zefa trazia uma porção de brinquedinhos, espalhava no chão da sala e dizia: 'para as minhas duas meninas preferidas se divertirem.' E elas realmente se divertiam! Betina era capaz de passar horas escovando o pêlo da gata que, preguiçosa, chegava a cochilar no colo da menina. Tia Zefa parecia muito satisfeita em ver estas cenas.

Como Betina era muito carinhosa com todos os animais, era de se esperar que, quando o vizinho do apartamento em frente comprou um cachorro, Betina fosse cair de amores pelo bicho. Para surpresa de seus pais, Betina não queria nem se aproximar do animal.

De início, os pais de Betina acharam que ela poderia ter medo, e diziam que o cachorro era bonzinho, era amigo, e que ela poderia se aproximar. Nada feito. A menina realmente mantinha distância do animal. Os pais resolveram respeitar sua decisão.

O problema é que seus pais começaram a prestar atenção na relação de Betina com outros cachorros. A menina, louca por gatos, aves e peixes, começou a dar sinais de que tinha uma tremenda implicância com os cães. Primeiro ela apenas não se aproximava. Mas, com o tempo, ela começou a destratar todos os cachorros que cruzassem o seu caminho.

Era notório. Se fossem visitar alguém que tivesse um cachorro pequeno, por exemplo, a menina dava um jeito de esconder os brinquedos do animal. Quando o cãozinho estava distraído procurando por suas coisas, ela ia até a tigela de água e derramava a água toda no chão, para deixar o animal com sede. Fora as vezes em que conseguia prendê-los no banheiro! Já quando visitavam alguém que tinha um cachorro de grande porte, Betina fazia pior. Aproximava-se do bicho, ficava perto uns três segundo e começava a chorar alto, dizendo ter sido mordida. Os animais, coitados, eram postos de castigo sem ter ideia do que tinham feito!

Claro que isto não durou muito, porque seus pais perceberam logo. Chamaram-na, então, para uma conversa bem séria.

  • Betina, o que está acontecendo? - perguntou sua mãe

  • Como assim? - respondeu a menina

  • Queremos que você explique porque implica tanto com os cachorros – continuou o pai.

  • Que cachorros? - indagou Betina

  • Todos os cachorros, ora! Você sempre dá um jeito de deixar todos os cães sem brinquedinhos, com sede ou pior ainda, de castigo por algo que não fizeram! - retrucou o pai, um pouco zangado com o cinismo da filha.

  • Eu tenho agora culpa que os cachorros mordem? - respondeu, desafiadora, a menininha.

  • Não, não tem – interrompeu a mãe, em tom conciliador. Como você e eu mordemos também!

  • Eu nunca mordi ninguém! - protestou Betina.

  • E também nunca foi mordida por cachorro nenhum – continuou a mãe. Mas um cachorro pode te morder, do mesmo modo que você pode mordê-lo.

  • E o que estamos querendo saber – o pai interviu – é o porquê desta birra com os coitados. Você gosta tanto de bicho, filha, não tem razão para tratar tão mal os cachorrinhos.

  • Não gosto de cachorro! - afirmou Betina.

O pai e a mãe se olharam com espanto. Como ela poderia não gostar de cachorros, se gostava de todos os outros animais? Justamente cachorro, que era o bicho preferido de seu pai! Ela tinha tido, mais nova, contato com diferentes cães. De onde teria surgido esta pinimba? Sua mãe, com voz suave, perguntou:

  • Por que você não gosta de cachorros, minha filha?

  • Não gosto e pronto! - a menina justificou.

  • Não gosto e pronto não é resposta! - seu pai estava perdendo a paciência – tem que ter um motivo! Você disse que cachorro morde, mas gato também pode te morder e você adora a Filó!

  • É diferente! Muito diferente! Cachorro é cachorro e gato é gato. E eu sou uma pessoa de gato! - a menina respondeu com firmeza.

Desta vez, o espanto dos pais foi ainda maior. Como assim 'uma pessoa de gato'? O que Betina queria dizer? Sua mãe, sem perder a suavidade, continuou:

  • Betina, o que você quer dizer com isso?

  • Isso o quê? - agora a menina é que parecia confusa.

  • Ser uma pessoa de gato. O que isso quer dizer?

  • Ah, isso. É assim: ou você gosta de cahorro ou você gosta de gato. Eu gosto da Filó, sou uma pessoa de gato! - esclareceu a menina.

  • Quem te disse isso, Betina?– o pai quis saber.

  • A tia Zefa! Ela me disse que cachorros são carentes e ficam querendo pular na gente, e que gatos são autênticos, só se aproximam de alguém quando gostam de verdade. A Filó gosta de mim de verdade, vocês sabem, e é por isso que eu sou uma pessoa de gato. A tia Zefa também é! Ela me disse que antes de eu nascer, ela teve duas outras gatas, e que elas sempre foram suas companheiras. Ela me disse também que quando eu crescer mais um bocadinho, ela vai me dar uma gatinha de presente.

Seus pais olharam-na com surpresa. Quando será que tia Zefa tinha dito tudo isso sem que eles percebessem? E por que ela teria dito isto? A mãe de Betina, calmamente, perguntou:

  • Betina, qual a sua cor preferida?

  • Amarelo e rosa, mãe, você está careca de saber! - a menina respondeu rindo.

  • Não. Qual a sua cor favorita, amarelo ou rosa?

  • As duas! - a menina afirmou.

  • Só pode escolher uma, Betina. É uma cor preferida – o pai emendou.

A menina fez uma cara engraçada, de quem está fazendo uma conta de divisão muito difícil sem usar a calculadora. Pensou, pensou, e não conseguia decidir. Achava o amarelo lindo, gostava da cor do sol, pintava-o em todos os seus desenhos. Já com o rosa pintava flores e os vestidos das suas bonecas. Não podia ter um desenho sem sol, e também não queria um desenho sem flores! Como poderia escolher entre as duas? Por fim, disse:

  • Gosto das duas cores, da mesma forma. Por que eu tenho que escolher apenas uma?

Seus pais sorriram. Tinham certeza que ela daria esta resposta.

  • Não precisa escolher, Betina. - disse sua mãe

  • Assim como não precisa escolher entre cachorro e gato – continuou o pai. - Não é porque você gosta de um que não pode gostar do outro, filha. É como com as suas cores: você gosta de todas as cores, e prefere o amarelo e o rosa. Com os animais, é a mesma coisa: você pode gostar de todos eles, mas preferir os gatos.

  • E pode gostar de cachorros também! - a mãe emendou. O que não pode, de jeito nenhum, é achar que, porque gosta de um, o seu é melhor, e destratar os outros. E isto vale para tudo na vida!

  • Quando crescer, Betina – o pai interveio – você terá uma posição política, você terá uma religião. E você conhecerá diversas pessoas que não terão as mesmas posições que você. E todas estarão certas, cada uma do seu , sejeito!

  • Todas estarão certas? - a menina desconfiou.

  • Sim, por que não? - a mãe respondeu rindo.

Betina parecia um tanto intrigada com toda aquela conversa, e seus pais resolveram dar o assunto por encerrado. Em três semanas, no entanto, tomaram uma decisão. Era o aniversário da tia Zefa e eles lhe deram de presente um cachorrinho. Tia Zefa, sem graça com a situação, agradeceu o presente sem saber o que fazer. Betina cochichou em seu ouvido ' tá tudo bem tia! Você pode ser uma pessoa de gato e de cachorro também!'

Hoje em dia, tia Zefa e Betina são pessoas de gato e cachorro! Fidel, o cachorrinho da tia Zefa, é engraçado, companheiro, e faz uma bagunça danada com a Filó – que, por sua vez, adorou ter ganhado um amigo. Todo sábado Betina ainda visita a sua tia, e brinca com os dois bichos da casa. Tia Zefa comprou ainda mais brinquedinhos desde que Fidel chegou, e quando se sentam todos no chão, ela anuncia ' aí estão minhas meninas e meu menino preferidos! Trouxe mais coisinhas para vocês!'. E todos se divertem muito juntos. Ainda bem. Afinal, o que seria do amarelo se todos só gostassem do rosa?

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A historinha do dia

Gente,

alguém conhece este sujeitinho aqui ao lado? Pois é, ele mesmo! Em outubro do ano passado, 'O menino Maluquinho', o livro mais conhecido do Ziraldo, completou 30 anos. Nestes 30 anos, já deixou as páginas do livros para virar filme, peça, história em quadrinhos, série de televisão. E nunca perdeu seu charme!

A esta altura vocês estão pensando: ' a historinha do dia é 'O menino maluquinho'? É, e não é! Vamos lá: 'O Menino Maluquinho' é historinha de todos os dias! Todo mundo tem que ler, ao menos uma (duas, vai!) vez na vida. É muito bacana. Mas, hoje, não é ela que está aqui.

A Ruth Rocha fez um troço genial (sim, se ainda restavam dúvidas, sou fanzoca dela!). Ela pegou 'O menino maluquinho' e criou uma historinha no qual ele está inserido. Não diz que é ele, mas também não deixa a menor dúvida de se tratar do próprio. Acho uma homenagem bem legal, e por isso, hoje esta é a historinha do dia - ' A menina que não era maluquinha', da Ruth Rocha.

Vale a pena ter os dois livros em casa, para ler e reler muitas vezes.

É isto. Mil beijos e bons sonhos.
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A Menina que não era Maluquinha - Ruth Rocha

A Menina que Não Era Maluquinha

Maluquinha, eu?

Eu não! Não sou nenhuma maluquinha!

Quem me pôs esse apelido foi aquele menino de casacão e panela na cabeça.

Ele me botou esse apelido
qu
ando eu fui brincar na casa do Mauricinho.

Eu nem queria ir.

Mas a mãe dele telefonou pra minha mãe, ela disse que o Mauricinho era muito tímido e que ela queria que ele brincasse com umas crianças mais... Não sei o que ela disse, acho que ela queria que ele brincasse com umas crianças mais descoladas...

E aí minha mãe me encheu um pouco e eu acabei indo.

A gente chegou na casa do Mauricinho e foi logo almoçar.

E depois do almoço a mãe dele botou a gente pra fazer a lição.

Eu não me incomodo de fazer lição logo depois do almoço,
porque eu fico logo livre.

Mas a mãe do Mauricinho começou a fazer uns discursos sobre responsabilidade e coisa e tal, que a gente já era grandinha e tinha que cumprir com os compromissos... Um saco!

Eu tô careca de saber disso!

E então eu fiz minha lição correndo e o Mauricinho ficou lá toda a vida, ele não acabava mais de fazer a lição dele.

Aí eu comecei a rodar
pela casa até que encontrei um gato.

Gato não, gata. Chamava Pom-pom. Ou era Fru-fru... Ou era Bom-Bom, sei lá.

E eu peguei a gata e ela estava meio fedida.

Então eu resolvi dar um banho nela. Gato não gosta de banho, vocês
sabem.

Mas meu avô tinha me contado que quando ele queria dar banho n
o gato ele botava o bicho dentro da banheira e ele não conseguia sair e meu avô dava banho à vontade!

Mauricinho tinha um banheiro dentro do quarto dele.

Quando eu fui chegando perto da banheira a gata arrepiou toda e eu joguei ela bem depressa lá dentro e tapei o ralo e enchi de água.

E esfreguei a gata todinha com um shampoo todo perfumado que tinha lá e eu estava achando que todo mundo ia gostar de ver a gata toda limpinha. A gata estava muito infeliz e ela miava miaaauuu... e tentava sair do banho, mas meu avô tinha razão: ela arranhava a parede da banheira, mas não conseguia sair.


Mas acho que aí caiu shampoo no olho da gata, porque ela deu um pulo e agarrou na minha roupa e conseguiu pular fora e saiu correndo, espalhando espuma de shampoo por todo lado e nisso a mãe do Mauricinho vinha chegando e levou o maior susto e caiu sentada e a gata continuou correndo e assustando todo mundo e respingando tudo de espuma.

Eu não sei quem estava mais assustado: se era o Mauricinho, a mãe dele, a gata, ou se era eu.

Eu corri atrás da gata, mas ela pulou pela janela, atravessou o jardim, saiu pela rua e eu atrás.

Só que no meio da rua estava a turma daquele menino, aquele da panela na cabeça, e a gata passou pelo meio deles todos e eu atrás!

E eles levaram o maior susto, cada um correu para um lado, e atrás de mim vinha a mãe do Mauricinho e o Mauricinho e a cozinheira e o jardineiro todos correndo e gritando e eu resolvi correr para a minha casa e me esconder lá.

Mas no dia seguinte... a escola toda já sabia da história e aquele menino, aquele da panela na cabeça começou a me chamar de maluquinha...

Mas eu não sou maluquinha, não! Só se for a vó dele!
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A historinha do dia

Gente,

não poderia começar a falar da historinha de hoje sem mencionar a de ontem. Foram tantas mensagens que recebi que fiquei emocionada! Teve gente copiando a página e colando na sua própria página do facebook. Fiquei feliz em ver que todo mundo curtiu. Uma grande amiga perguntou porque eu não escrevi sobre uma princesa africana, ao invés. Porque eu não mostrei que existem princesas, de verdade, com cabelos de mola. A resposta é simples: porque eu sei que elas existem! E, para mim, não estão apenas na África. Estão em todos os lugares. São todas as meninas lindas de cabelo de mola (ou que não sejam de mola)que põe uma tiara e são lindas, lindas, lindas de viver!!! Vocês sabem disso, não é? Ou a pequena de vocês não deixa a 'Kate' no chinelo? Eu tenho certeza que sim. :-)

Bom, na história de hoje, vamos abordar um outro pré-conceito. O de que criança precisa de brinquedo caro para se divertir. Sabemos que isto não é verdade. Mas, e como as próprias crianças se sentem quando seu amigo tem um brinquedo muito mais bacana do que o dele? É meio chato, não? Então tá, vamos começar a ensinar nossos pequenos que temos que dividir os brinquedos com os amigos, especialmente com aqueles que tem menos brinquedos. Mais importante do que o brinquedo, é o amigo para curtir a brincadeira.

É isso. Espero que gostem. E, mais uma vez, obrigada pelo carinho de todos!

Mil beijos e bons sonhos