6

O dragão e o menino

O dragão e o menino



Esta história aconteceu há muitos e muitos anos, em um lugar muito longe daqui. Era um lugar muito bonito, mas onde a paz não reinava. Naquele lugar haviam quatro pequenos vilarejos. Cada povoado tinha algo de valioso: em um havia um lindo riacho; no outro, terra muito fértil; havia um terceiro com um grande descampado e o último possuia uma enorme caverna. Cada vilarejo achava o seu bem mais precioso, e por isso não queria dividi-lo com os demais. Assim, como só um vilarejo tinha água, os demias lutavam contra ele para pegar um tanto d'água. E assim ia a vida nada tranquila daquela região.

Um dia, meio que por acidente, um gigantesco dragão foi parar ali. Ele estava a caminho da casa de uma tia, mas se perdeu e foi parar no primeiro povoado.

Assim que o viram, os adultos convocaram uma reunião de emergência. Tinham que mandar o dragão embora a qualquer custo. Mas não conseguiriam fazer isto sozinhos. Mandaram, então, mensageiros aos outros povoados. Fizeram uma trégua: uniriam-se no combate ao dragão.

O dragão, coitado, não sabia que não era querido. E como poderia saber? Zeferino, o dragão, era super legal! Gostava de brincar, contar e ouvir histórias, ouvir músicas... enfim, era um tremendo boa-praça. Não poderia imaginar que alguém o rejeitaria só por causa de sua aparência.

Mas foi exatamente isto o que aconteceu. Zeferino não teve tempo de mostrar o quão bacana ele era. Em dois tempos, os adultos o expulsaram daquele lugar. Muito triste, Zeferino pegou a estrada de volta para casa.

Ocorre que os adultos veem com os olhos, mas as crianças, não. As crianças enxergam com o coração. E, se não fosse por isto, esta história teria acabado aqui.

Zeferino ia cabisbaixo pela estrada quando topou com um menino no meio do caminho. O menino, distraído, pulava tentando alcancar uma maçã no alto de uma árvore. Ele pulava bem alto, mas não tinha altura suficiente. Quando o menino viu o dragão, arregalou os olhos. Zeferino achou que fosse por medo, e já ia desviando quando o menino gritou:

  • Ei, você. Você, Sr. Dragão. Venha aqui, por favor.

  • Eu? - perguntou Zeferino.

  • Sim, sim, você.

Zeferino custava a acreditar que um menino tão pequeno o chamava. Todos os adultos tinham temido sua presença, e agora aquela criatura tão pequena parecia tão destemida.

  • Pega aquela maçã lá no alto para mim, por favor – disse o menino.

Zeferino atendeu ao pedido prontamente. Pegou a maçã e deu ao menino, que agradeceu dizendo:

  • Obrigado. É bom ser alto, né? Eu quero crescer e ficar bem grandão também. Meu nome é Bartolomeu, mas pode me chamar de Bartô. E o teu, qual é?

  • Zeferino, mas pode me chamar de Zé.

  • Zé é um nome engraçado para um dragão.

  • Pode me chamar de Zeferino, então, ora!

  • Não, não, eu prefiro Zé – disse Bartô rindo – só achei engraçado.

Zé riu junto, pois a risada do Bartô era muito gostosa de acompanhar. Passaram a tarde juntos, batendo papo. Passaram muitas tardes juntos, batendo papo. Tornaram-se grandes amigos.

Quando os povoados acharam que o dragão já tinha ido embora, suspenderam a trégua. Logo, logo, voltaram a guerrear entre si.

Bartô tinha nascido e crescia no primeiro povoado. Achava toda aquela brigalhada uma grande besteira, e desde muito pequeno pensava num jeito de acabar com isso. Teve, então, a chance pela qual sempre esperara. Tinha um aliado de peso, que certamente o ajudaria a acabar com as guerras. Seu amigo Zé.

Bartô explicou seu plano para o Zé, que não topou de cara. Mas Bartô insistiu, dizendo que seria o melhor para todos, e tal, e acabou convencendo o amigo. No dia programado, Zé entrou no primeiro povoado soltando fogo pelas narinas.

O pessoal deste primeiro vilarejo entrou em pânico, sem saber o que fazer. Seguindo as ordens de Bartô, Zé anunciou: 'quero falar com os chefes dos quatro vilarejos. Se não me obedecerem imediatamente, cuspirei fogo até destruir tudo!'

Claro que ninguém ousou desobedecer o dragão – que, no fundo, estava morrendo de medo que fizessem uma maldade contra ele. Em menos de duas horas, estavam todos os chefes reunidos. Zé perguntou: 'por que há guerra neste lugar?'

Os chesfes dos povoados olharam-se com dúvida. Não sabiam o que pensar, que dirá o que responder. Então, o chefe do segundo vilarejo, disse:

  • O meu vilarejo tem terra fértil, plantamos o que queremos. E os outros querem tomar à força o fruto do nosso trabalho!

  • Ah, essa não! - respondeu o chefe do primeiro – vocês é que vem aqui para roubar a nossa água, que é limpa e abundante!

E começou um tremendo bate-boca, cada um querendo dizer que estava certo e o outro errado. Bartô, que assitia aquilo tudo ao lado de Zé, puxou o amigo e pediu que ele o levantasse. E então disse:

  • Silêncio! Parem de brigar!

Ninguém acreditou na coragem daquele menino de estar montado em cima de um dragão. Parecia um caveleiro, um herói! E Bartô continuou:

  • Desde sempre vocês brigam, e sem razão. Somos quatro povoados, um ao lado do outro. Podemos e devemos viver em harmonia. A água do primeiro e súficiente para todos. Do mesmo modo, todos podemos plantar e colher nossos legumes e verduras no solo fértil do segundo. Usemos o descampado do terceiro para o pasto de nossos animais...

Os chefes o interromperam, voltando a discutir, dizendo que o seu bem era mais valioso que o do outro, e tal. Daí Bartô perdeu a paciência, fez um sinal para Zé, que soltou uma labareda de fogo no ar. Na mesma hora, todos se calaram.

  • O bem mais importante, continuou Bartô, é viver feliz. E nós jamais conseguiremos isto vivendo em guerra. No último povoado, temos uma grande caverna. Esta grande caverna servirá de abrigo para o meu amigo aqui – disse apontando o Zé. Ninguém terá coragem de invadir um povoado que tem um dragão como vigia. E assim, viveremos em harmonia.

Não se sabe se foi pelo que Bartô falou ou se foi por medo do Zé. Mas todo mundo concordou com a ideia. E a ideia deu super certo: plantaram mais do que nunca, fizeram um grande pasto, usaram a água de forma consciente para que ela nunca faltasse. E viveram felizes para sempre!

Ainda bem que as crianças enxergam com o coração! Quando julgamos uma pessoa por sua aparência, e não pelo que ela é, perdemos a oportunidade de conhecê-las de verdade. E podemos deixar de ter grandes amigos...



6 comentários:

Elaine Cunha disse...

Ah, que histórias linda, Dadá!
Que bom que as crainças veem com coração.

Sabe, fiquei pensando numa coisa...

Zé ficou onde? Pra mim, ele ficou brincando com as crianças do reino. Contando muitas outras histórias!

Bom domingão!
Beijos,
Elaine Cunha

Aretusa disse...

E o que seria de nós se não fossem as crianças e sua simplicidade para ver e viver as boas coisas da vida?!
Beijocas e bom domingo!!
Aretusa, mamãe da Doce Sophia

BLOG DO ARTHUR disse...

Oi Dadá
Finalmente consegui visitar seu blog, depois da indicação deixada no Criative-se... Amei ! Já estou seguindo !
Fica de olho no CRTVS que o post de livros terá continuação...
Vou tentar linkar vc no blog do meu filhote http://arthurleaozinho.blogspot.com
Beijos, Flávia Thomé

Cáu disse...

Oi Dadá...
Tem alguém aqui em casa, que AMA ouvir suas histórinhas todos dias!
Tenho feito isso diariamente, mesmo que as vezes não comento, acompanho tudo e sou sua fã!
Adoro seu trabalho, PARABÉNS, bjs...

Samantha Bezerra disse...

Eu e meu filho adoramos a historinha. Obrigada

Samantha Bezerra disse...

Eu e meu filho adoramos a historinha. Obrigada

Postar um comentário