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Alegria, alegria

Alegria, alegria



Era um diazinho frio de sol e o Céu estava em festa. Na terra, comemoravam o dia de Santo Antonio por todos os lados. No Céu, a festa era ainda maior: todos os santos e santas reunidos brincavam juntos de pique-esconde. Santo Antonio e São Longuinho, que acham tudo que a gente perde, achavam todos os outros na maior facilidade. Mas eles inssitiam, procuravam novos lugares para ficarem ocultos.

No meio de tanta bagunça, Papai do Céu, achando graça naquela correria à sua volta, olhou para a Terra. E não gostou muito do que viu. Achou que tinha muita gente fazendo maldade aqui embaixo. Tinha gente maltratando bichos. Tinha gente desonesta. Tinha gente grosseira. Tinha muita gente esquecendo que tinham sido feitas à Sua imagem e semelhança. E então, Papai do Céu ficou triste.

Ele resolveu, então, chamar os santos que estavam por ali. Vieram todos correndo atendê-Lo.

  • O que houve, Senhor? - perguntou Santa Clara

  • Por que tanta preocupação? - emendou Santa Therezinha

  • No que podemos ajudá-lo? - indagou Santo Expedito

  • Meus queridos – Papai do Céu começou a falar – estou muito consternado com a situação na Terra. Tem muita gente fazendo maldade neste mundo que criei com tanto carinho. Acho que está na hora de tomarmos uma medida urgente!

Quando Papai do Céu falou isto, ficaram todos num alvoroço tremendo! Estavam imaginando se haveria outro dilúvio, ou alguma coisa assim. Ele, então, tranquilizou a todos, dizendo:

    • Não quero punir as pessoas. São meus filhos, e eu os amo mais que tudo. E porque eu os amo mais que tudo, quero que também eles tenham mais amor uns pelos outros.

    • E como faremos isto? - pergunto São Francisco.

    • Faremos isto aos poucos. Quero mandar anjos para a Terra. Anjos que irão como pessoas, levando meu amor para os demais.

    • E como serão estes anjos? - quis saber São Pedro.

    • É aí que vocês entram! Quero que se reúnam e vejam quais qualidades estas pessoas podem ter e me digam. Assim, mandarei ainda hoje o primeiro deles. Antonio, é o seu dia, e você será o chefe desta importante missão.

    • Sim, Senhor! - respondeu Santo Antonio, cheio de si com tanta responsabilidade.

Os santos então foram para uma nuvem grande e fofinha, fizeram um balde de pipoca e começaram a conversar, para decidir como seriam estas novas pessoas. Que qualidades deveria ter um anjo para descer à Terra, em forma de gente, levando um amor puro e verdadeiro aos outros?

  • Olha – começou Santa Rita – eu acho que o primeiro anjo deveria ser mulher!

  • Por que? - perguntaram os santos.

  • Pela delicadeza, pelo cuidado. Vocês sabem... - disse Santa Rita, enquanto todos olharam para Santo Antonio vendo se ele aprovaria a ideia.

  • Gostei, Rita! Uma mulher é realmente mais delicada do que um homem. E se o mundo precisa de mais leveza, comecemos com elas!

Santa Rita sorriu, toda feliz da sua ideia ter sido aceita.

  • Ótimo que seja mulher – falou Santa Barbara – mas tem que ser forte! Tem que ser valente e destemida, mesmo que ela não se dê conta disto.

  • Claro, claro, isto mesmo! - concordaram todos os santos e santas.

  • Tem que ser amorosa! - disse Santo Antonio. Alguém que vai para levar amor aos outros tem que ter uma enorme capacidade de amar. Tem que ser uma pessoa tolerante e paciente, porque o amor é assim!

  • Isto mesmo! - disse Santa Ignez – e tem que também ser capaz de perdoar.

  • Boa, Ignez! - gritou São Judas Tadeu.

  • E tem que ser mãe – disse Nossa Senhora das Graças. Esta é uma graça concedida às mulheres que tem esta enorme capacidade de amar. Para garantir tudo o que vocês disseram, ela tem que ter um filho. Uma filha, melhor. Para amá-la incondicionalmente e perceber, na prática, o que é o amor. Mães são amorosas, tolerantes, pacientes, sabem perdoar. São valentes e destemidas para defender os filhos. São tudo isto e muito mais. Ela tem que ser mãe.

Os outros santos e santas, na mesma hora, aplaudiram as palavras de Nossa Senhora das Graças. Era isto, então, tinham decidido todas as qualidades do anjo. Foram, então, procurar Papai do Céu.

Santo Antonio, como chefe da missão, disse ao Papai do Céu tudo o que tinham conversado, e o que tinham decidido. Falou que seria uma mulher, que seria mãe, falou de todas as qualidades que o anjo teria.

Papai do Céu ouviu tudo quietinho, com um sorriso. Quando Santo Antonio acabou seu relatório, Ele apenas disse:

  • Vocês todos fizeram um excelente trabalho, e este anjo será uma pessoa que levará muito amor à Terra. Vocês só esqueceram de uma coisa.

  • O que? - perguntaram todos os santos e santas ao mesmo tempo.

  • Esqueceram da alegria! É essencial que meu anjo leve alegria, e a tenha de sobra dentro de si. Meu anjo precisa ser uma pessoa feliz. Alguém que, mesmo nos momentos de tristeza, tenha uma chama acesa dentro de si. Alguém que traga consigo a capacidade de ser feliz, independente que qualquer adversidade. Quero muito disto: alegria, alegria!

  • Alegria, alegria! - disseram todos os santos.

  • Escolha, Antonio, o anjo que você vai mandar à Terra, por favor – pediu Papai do Céu.

Santo Antonio procurou e procurou entre os anjinhos um que fosse perfeito. Achou, quietinha no canto, uma anjinha pequena, linda, meio tímida e muito carinhosa. Explicou-lhe sua missão, deu-lhe um enorme sopro de amor e pediu que lhe acompanhasse até a presença do Pai.

  • Aqui está sua anjinha, Senhor – disse Santo Antonio.

  • É perfeita. Disse Papai do Céu. E que nome você escolheu para ela, Antonio?

  • Seu nome é Leticia, Senhor. Está com o coração cheio de amor, como ordenado. Por onde passar, levará este amor aos outros. Onde estiver, haverá alegria. Sua presença será sempre fonte de felicidade aos demais.

  • Vá então, minha querida, cunprir sua tarefa! - disse Papai do Céu, dando-lhe um beijo na testa.



Quem me contou esta história foi a minha mãe. Eu perguntei porque minha tia Leticia tinha um abraço tão quentinho, e ela me disse assim: 'Davi, sua tia é uma enviada de Deus para trazer amor à nossa família'.

Eu acho que deve ser verdade esta história que minha mãe me contou. Primeiro porque minha mãe não gosta de mentira. Depois, porque sempre que eu tô com a minha tia eu tenho uma sensação danada de boa. É o abraço gostoso, o sorriso sincero, o carinho e o cuidado sem fins. Uma sensação assim, de alegria, alegria...

3 comentários:

carol disse...

Davi,

Essa sua mãe quer me matar do coração. Que homenagem maravilhosa, que presente especial. Agradeça muito a ela e diga que irei agora no Mosteiro de Santo Antônio agradecer a ele por ter me mandado para cá e me dado um sobrinho tão fofinho e uma cunhada tão carinhosa.

Um abraço apertado em vocÊ, na mamãe e no Papai
Tia Letícia

Elaine Cunha disse...

Dadá, qualquer dia destes vc vai acabar com meu note de tanto eu chorar! Mulher, que linda homenagem. Senti o carinho nas suas palavras! Como é bom!

Parabéns a Letícia!
beijos, Elaine Cunha

Clarisse disse...

Linda, Dadá! Se eu fiquei emocionada, imagine a homenageada, rsrs.

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