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Barquinho de papel

Barquinho de papel





Estava um dia morno, sem graça. Não tinha escola, não tinha clube, não tinha nada. Era um dia de ficar em casa, destes sem fazer nada. Às vezes, no cansaço, tudo o que queremos. Hoje, não era o caso.

Todos os brinquedos ali, no mesmo canto de sempre. Peguei um, peguei dois. Os mesmos carrinhos, os mesmos jogos, sempre tão divetidos. Hoje, não era o caso.

Procurei entre os livros algum que ainda não tivesse lido. Não tinha. Procurei algum que eu pudesse reler. Achei vários. Li um. Depois li outro. Li mais um. Alguns dias sou capaz de passar o dia inteirinho lendo. Hoje, não era o caso.

Hoje estava um dia assim, morno. E tão morno que também eu me sentia assim, sem graça, sem ânimo. Vontade de pular, de correr, de gritar, dançar uma música bem alta, dar cambalhotas no tapete da sala e rir de montão. Hoje, não tive nenhuma destas vontades. Hoje, não tive vontade de nada.

Uma chuvinha fininha começou a cair e o solzinho fraco foi substituído por uma poeirinha de água. A chuva caía mansinha e deixava subir um vaporzinho gostoso, bonito de se ver. O dia parecia mais triste. E eu, estranhamente, comecei a me animar.

Vesti minha capa de chuva, porque qualquer água é um bom motivo para usá-la, mesmo uma chuvinha tão a toa quanto esta. Se eu tivesse galochas, também as teria calçado. Tão bom usar galochas para enfiar os pés nas poças! Mas não as tenho, então achei que não tinha problemas ir de chinelos. Abri a porta de casa para ver a chuva.

A chuva caía dum jeito lento e ritmado. Fazia música ao bater no telhado: pim pim pim pim! Achei graça e ri. Fiquei olhando para a chuva, que mesmo sendo pouca, molhava o chão. E formava um pequeno rio que corria pela terra. Sorri, e entrei em casa.

Peguei uma folha grande de papel. Escrevi. Dobrei, dobrei, dobrei. Fiz um barquinho de papel. Coloquei nas águas do meu pequeno rio de chuva. Ele foi, tão lento quanto a chuva, pegando o rumo da rua, até sair de casa e encontrar um outro rio de chuva, que existia além dos portões da minha casa.

Não vi até onde o barquinho foi. Mas sei que cumpriu seu destino. No barquinho de papel, a mensagem ' levo um beijo para você, meu amor!'. E ele chegou cedo em casa e me trouxe uma flor...



1 comentários:

Daniela Guse Weber disse...

Adorei a história!
Me lembrou dias da infância.
Vou ler para meus alunos...

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