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A história de um pescador menino



A história de um pescador menino



Era um menino comum, com pai, mãe e irmão. Gostava de ir à escola e adorava as aulas de ciências – embora tentasse sempre escapar das de matemática. Tinha amigos em todos os lugares, era falante, simpático, sempre sorridente. Chamava-se Sebastião, que era o nome do santinho preferido de sua mãe. Mas ninguém o conhecia como Sebastião. Por todos os lados era conhecido como Sebá. Sebá, o pescador menino.

Sebá não era, na verdade, pescador. Poderia ser, um dia. Mas ainda era menino, não conseguia segurar a vara com força, nem tinha força para puxar uma rede. O pescador era, de fato, o pai de Sebá. Mas o menino adorava o mar - seu cheiro, seu balanço e suas histórias - e por isso acompanhava o pai, todos os dias, quando ele saía para pescar. Gostava de ficar no barquinho, indo para lá e para cá junto com as ondas. Nunca enjoava. Pelo contrário: achava graça! Dizia que gostava de valsar junto com o mar...

O menino acompanhava o pai e o ajudava no que era possível. Muitas vezes, era ele que passava um café bem forte enquanto o pai ajeitava as coisas no barco. Colocava na garrafa térmica e ajeitava os sanduíches para levarem. Quando embarcava, continuava ajudando no que podia. Só que tinha um jeito muito próprio de fazer as coisas. Um jeito de menino. Quando colocava uma minhoca no anzol, não a espetava. Dava um jeito de enrolar a minhoca na isca,e avisava: 'fica aí rebolando. Quando o peixe chegar pertinho, você corre para a linha depressa! O peixe fica preso na isca e eu te tiro da linha depois!' A maioria das minhocas não era rápida o suficiente para escapar dos peixes. Mas quando uma conseguia escapar, ele era só felicidade! Por ter sido ouvido, por ter conseguido salvar uma vida! Nestes momentos, sentia-se um super-herói, e comemorava muito!

Sebá tinha uma particularidade. Tinha uma enorme capacidade de sonhar! Tudo o que via, via com magia, cor, poesia. E quando contava suas histórias para as outras pessoas, faziam graça: 'este aí nasceu mesmo para ser pescador! Já conta até história!' Sebá não se incomodava com as brincadeiras. Gostava mesmo de contar histórias. Mesmo que fossem inventadas.

E uma vez aconteceu uma destas histórias de sonho, que ninguém acredita. Estava com seu pai, no barco, como em todas as manhãs. O sol mal tinha despontado no horizonte quando ele ouviu uma música ao longe. Disse para o pai:' papai, estou ouvindo uma música!' O pai forçou os ouvidos, mas não ouviu nada. 'Você ainda está sonhando, meu filho! Não há música alguma por aqui!' - e continuou jogando a rede. Mas Sebá tinha certeza do que ouvia.

Conforme o barco avançava mar adentro, a suave música tornava-se mais presente. Como uma melodia sendo entoada por alguém ali pertinho. Sebá começou a ficar inquieto. De onde poderia estar vindo aquele som? Perguntou, novamente, ao pai, se ele não ouvia a música. 'Não há música para ser ouvida, Sebá!', foi novamente a resposta. O menino começou a ficar preocupado. Estaria ele ouvindo o canto de uma sereia?

Sebá já tinha ouvido falar das sereias. Elas cantavam uma linda música para atrair os pescadores para o fundo do mar. Ele pensava que as sereias faziam isto porque devia ser difícil arranjar um marido nas profundezas do oceano. E, ao lembrar disto, Sebá sentiu um arrepio. Não queria casar, nem com sereia nem com nenhuma menina, era muito novo ainda! Mas a música era cada vez mais forte, cada vez mais perto... Será que uma sereia o chamava, afinal?

O menino já estava agoniado com a situação quando seu pai parou, de repente, e exclamou:

  • Estou ouvindo! Estou ouvindo, Sebá!

  • Fecha os ouvidos, papai! A Sereia vai nos levar para o fundo do mar!

  • Não é sereia, meu filho.

  • É sereia, sim, papai! Não está ouvindo a suave melodia dela?

  • Não, não é sereia. É...

E antes que o pai de Sebá pudesse terminar a frase, emergiu à superfície uma enorme baleia. Sebá achou que seu coração fosse pular pela boca! A baleia era três vezes maior que o barco, e jorrava água. Movia-se lentamente e ainda assim provocava ondas enormes. O menino pensou, por um minuto, que estavam correndo sério perigo...

A baleia alinhou-se ao barco, como se procurasse companhia. Parecia estar olhando e sorrindo para eles. Estava tão perto que Sebá quase podia tocá-la. Estava encantado com a sua presença.

Naquele dia, não pegaram peixe nenhum. Mas voltaram para casa felizes como nunca! Sebá contou para todos de sua nova amiga. Ninguém acreditou. Diziam que era história de pescador menino. Ele não ligou. Sabia o que tinha acontecido. Tinha navegado, lado a lado, com uma enorme e linda baleia cantora. Sonharia com este dia para sempre. E isto era o que importava!

3 comentários:

Jenifer Cabral Silva disse...

Adorei a história!! Uma graça! Parabéns pelo trabalho!

Leonardo Lima souza disse...

Nossa que tedio

Leonardo Lima souza disse...

Nossa que tedio

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